Pegar linhas de caras mais velhos

COMO LIDAR COM DOENÇAS EM CENÁRIOS DE CRISE DE LONGA DURAÇÃO

2020.11.24 12:30 coldshadowbr COMO LIDAR COM DOENÇAS EM CENÁRIOS DE CRISE DE LONGA DURAÇÃO

COMO LIDAR COM DOENÇAS EM CENÁRIOS DE CRISE DE LONGA DURAÇÃO
(Escrito por Selco em 2014)
Existem grandes preocupações sobre uma possível pandemia do Ebola saindo da Africa. A mídia tem inclusive nos bombardeado de informações. Eles divulgam que as possíveis razões para o vírus estar tão forte na Africa são de caráter religioso e cultural, pois as pessoas manejam os corpos sem conhecimento adequado e contribuem para a propagação. Dizem também que eles não tem conhecimento geral sobre doenças, higiene e comem carne de caça sem restrição ou análise da carne. Fatos interessantes para serem lidos, sem dúvida.
Eles também dizem que não existe possibilidade alguma de um cenário apocalíptico acontecer onde uma pessoa entra em um voo e contamina todo mundo, pois a doença só se propaga por fluídos corporais. Toda essa informação é válida, mas em algum lugar no final do artigo há uma frase assim: “… Então claramente não há razão para pânico…”
Como eu já disse algumas vezes, sempre quando alguém do governo, das leis ou semelhantes dizem que “não há razão para pânico” eu tenho uma vontade enorme de comprar mais suprimentos (comida, água, máscaras de gás…). Tudo bem, eu sou um cara estragado que teve uma experiência ruim por ouvir declarações semelhantes, mas vamos usar o senso comum aqui.
A mídia diria em algum momento que “é tempo de entrar em pânico”? Que é tempo de se preparar? Não. Isso causaria caos e algumas pessoas sempre exageram à situação. Não apareceriam ao trabalho… enfim, isso poderia levar ao colapso por si só. As pessoas não pensam mais por elas mesmas, então a mídia sempre tem o papel de deixar as pessoas calmas, é assim que o sistema funciona.
Pânico é ruim em qualquer caso. Lendo como muitos preparadores andam assustados, parece que eles estão sempre em um constante estado de emergência. Isso não faz sentido algum e só deixa nossa vida miserável. Nós nos preparamos para qualquer possibilidade, não para ficar no “modo pânico”.
Primeiro se prepare e depois evite o pânico. Claro que ficar alerta faz parte e usar o bom senso também.
O Ebola é assustador e pode se tornar um grande problema, mas assim como os tubarões matam dez pessoas por ano e os elefantes matam dez vezes mais, muitas vezes o que percebemos como coisas inofensivas são as que nos causarão os maiores problemas. Sobrevivência é simplesmente ver os perigos onde eles estão. Dentro desse pensamento, é como a obrigação de ver se o seu banheiro não é escorregadio, pois muitas pessoas morrem escorregando ao sair do banho.
Hoje eu escrevo sobre os assassinos regulares que experienciei no meu tempo de guerra.
Feridas infeccionadas
Não precisa ser uma ferida grande para te deixar com problemas. Em uma crise um pequeno corte pode te matar (literalmente). Em um mundo onde não há tratamento médico você deverá estar pronto para lidar com problemas como esses.
Durante o meu tempo de crise houveram vários problemas com infecções de machucados. Todo tipo, desde cortes pequenos até perfurações por tiros, tinham chance de ficarem infectados. Nós tratávamos as feridas infeccionadas com o que tínhamos, com o tempo haviam menos e menos recursos até que chegou o ponto onde usávamos apenas água e algumas misturas de coisas para curar as infecções. As receitas eram diferentes, desde pedaços de pinho até alho para ser colocado nas feridas e claro, as bebidas alcoólicas também.
Algumas vezes nós tínhamos antibióticos, mas a maioria do tempo não. Os resultados eram aleatórios. O que funcionava para um cara algumas vezes não funcionava para outro, algumas pessoas morreram e outras ficaram com sequelas.
Para cenários de crises futuras eu sugiro que você aprenda o máximo que conseguir sobre tratamento de feridas.
• Como limpar e fechar uma ferida e como usar antibióticos da forma correta; • Lembre-se que pequenos procedimentos como fechar uma ferida com ferramentas esterilizadas podem te tirar de muitas enrascadas mais para frente e claro que o quanto mais você sabe (suturar, tratar) é melhor. Não caia nas influências de filmes, por exemplo, não, o torniquete NÃO É a melhor escolha para sangramentos (é a última) e simplesmente cobrir a ferida com gases esterelizadas pode fazer milagres e prevenir infecções; • Guarde iodo e semelhantes para limpeza e tratamento da ferida; • Aprenda como gerenciar a dor, em muitas vezes eu simplesmente bebia álcool, mas não funciona muito bem sempre. Novamente, esqueça dos filmes. • Um bom conselho agora… Saiba como usar o que você tem, ter agulhas e suturas sem o conhecimento não faz sentido algum. • Não siga cegamente os anúncios sobre “o kit médico milagroso para todos problemas do apocalipse”, você vai acabar com um bando de coisas inúteis em uma bolsa camuflada bonita. Como em todas as áreas da vida hoje, as pessoas tentam vender soluções milagrosas na área da sobrevivência. Conhecimento é a chave. Claro que tem coisas boas para comprar por aí, mas tenha certeza do que você vai pegar, uma boa ideia é perguntar a um conhecido na área médica o que você vai ganhar com o kit que pretende comprar ou até mesmo você decida montar um seu. 
Intoxicação por comida (e água) ruins
Você pode ter certeza que cedo ou tarde você terá de lidar com isso. Não é apenas perigoso ficar incapacitado com diarréia e vômito por que no final isso pode te matar, mas também pode te deixar fraco a ponto de não conseguir realizar suas tarefas. Em uma crise isso significa que você está fraco demais para se defender, ou ir em busca de recursos e semelhantes… E isso é ruim. Novamente, é por isso que grupos são importantes e os lobos solitários estão contra as apostas.
Eu acho que todo mundo foi intoxicado com comida ou água ruim pelo menos uma vez durante minha crise. Nós lidamos com essa situação dando chá para a pessoa conseguir tomar mais água do que estava perdendo. Haviam mortes, a maioria incluindo os mais jovens ou mais velhos.
A primeira linha da sua defesa tem de ser a higiene. Enfrente de forma séria este assunto durante uma crise. Tenha um plano para como você vai manter a si e a sua casa limpa. É muito melhor pensar como prevenir que estas coisas aconteçam melhorando a forma que você guarda e lida com a comida do que ter de confiar em um kit médico para tratar os problemas.
Um erro que as pessoas cometem quando estão com diarréia e vômito é que tentam consumir muita água de maneira rápida, isso causa mais problemas do que benefícios. O certo é consumir fluídos de maneira bem devagar e em pequenas quantidades. Por exemplo, um gole de água a cada vinte minutos ou semelhante, descanse e mantenha-se alerta com o que consumirá pelas próximas 24 horas.
Pessoas já doentes
Eu sei que as pessoas pensam que quando houver uma quebra no sistema e haver colapso tudo será resumido em adrenalina, luta, caos e sangue. Isso faz parte, mas em sua maioria, especialmente nas primeiras semanas, as pessoas com menos condicionamento experienciarão de maneira muito pior.
Pense nos pequenos problemas que você tem hoje e que poderiam se tornar gigantes se você precisar viver em estilo de sobrevivência fazendo grande quantidade de exercícios todos os dias, tendo privação de sono, estresse extremo e pouca higiente. Os problemas serão multiplicados.
Por exemplo, seu tio tem pressão alta por anos, está tomando remédios e sua família tenta “forçá-lo” a comer de forma saudável e isso tem funcionado mais ou menos, porque de vez em quando ele tem que ir no pronto socorro pois a pressão está muito alta. Quando a crise acontecer qual será o plano para regular sua pressão e por quanto tempo as pílulas estarão disponíveis para ele? Ou como ele conseguirá comer de forma saudável durante uma crise? Pela minha experiência em situações de sobrevivência, estas são as primeiras pessoas a ir.
A solução seria tentar regular a pressão sanguínea da melhor maneira possível HOJE, ter uma boa quantidade de medicamentos estocadas para ele e claro aprender tudo sobre meios alternativos de tratar essa condição (com ervas por exemplo). O ponto é fazer tudo isso hoje, pois quando uma crise estourar você talvez não tenha tempo suficiente para isso.
Por mais frio que isso pareça pense também em o que fazer com as pessoas que são contra a preparação hoje e quem você conhece que entrará em sérios problemas quando o sistema normal não conseguir suportá-los mais. Quem estará bravo pelos problemas no grupo se você simplesmente tiver de deixar aquele tio doente enfrentar seu destino? Em algum momento você terá de decidir quando o trem ficou cheio e deverá partir, então faz sentido começar a pensar nisso o quanto antes.
http://shtfschool.com/first-aid/diseases-in-long-term-survival-situations/
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2019.09.10 13:33 mushenrique Como foi chegar no Japão após o tufão

Edit: Mesma situação que passei sendo noticiada, especialmente com relação a falta de informações em inglês : https://mainichi.jp/english/articles/20190910/p2g/00m/0na/027000c
Olá, pessoal... estou no celular então talvez formatar e linkar coisas seja difícil. Fiz um post aqui algumas horas atrás pedindo ajuda pra ter infos do que fazer aqui. O caso foi o seguinte:
Estou de lua de mel no Japão, viajei direto da festa, então já comecei a viagem podre. Foram 30 horas ao todo, mas o vôo foi muito bom (Emirates Airlines), as conexões e comida foram ótimas, sem reclamações.
Ao chegar no Japão o piloto avisou que ao que parecia havia tido algum problema nos trens para nos informarmos no aeroporto. Fizemos imigração que, apesar de bem cheia, foi tranquila e os funcionários mto simpáticos, inclusive falando algumas coisas em português.
Ao sair na área do desembarque: caos. Eu nunca vi tanta gente em um lugar só na vida, isso pq sou de SP e pego a linha vermelha do metrô todos os dias no horário de pico. Eu precisava trocar dinheiro, pegar um equipamento, meu "bilhete único " japonês e afins, mas tudo estava um caos.
A estação de trens estava fechada, as pessoas abarrotadas por toda área, não sabia o que estava acontecendo. Minha esposa foi tentar resolver algumas coisas enquanto eu pesquisava o que raios estava acontecendo.
Enfim, maior tufão em anos, gente morreu, bastante destruição. Saquei que não conseguiria sair do aeroporto, as estradas também foram afetadas e o taxi era coisa de 400 dólares pra me levar pra onde eu iria. Uber, que só tem o black, estava indisponível, os ônibus estavam hiperlotados e sem condições.
Entendi que teria que ficar no aeroporto até arrumarem tudo. Todas as pessoas foram arrumando cantinhos, dormiam nos corredores, nas esteiras das companias aéreas, em qualquer lugar. Logo o mcdonalds e o seven eleven viraram os lugares de peregrinação, as máquinas de venda esgotaram de água muito rápido e os restaurantes fecharam.
Enfim, me conformei, entre cochilos e caminhadas me informava do que tava acontecendo. Os funcionários do centro de informação eram solicitos, mas com inglês sofrível e, a certa altura da madrugada, foram embora. Distribuíram bolachas e sacos de dormir pra todos. A Japan Airlines troixe água e comida, mas não deixou passageiros de outras aéreas usarem. Tinham muitos velhos e crianças também, o que tornava a situação mais dramática. Apesar de tudo, como tudo que japonês faz, estava tudo calmo e ordeiro na medida do possível, o que ajudou.
De manhã, 12 horas depois que eu cheguei e 42 horas acordado, os trens voltaram a funcionar, consegui pegar os últimos documentos que faltavam e parti pra estação que fica embaixo fo aeroporto. Aqui tem várias linhas, a minha, expressa, era coberta pelo meu bilhete e as demais não. Os trens estavam saindo hiper lotados dada a quantidade de gente acumulada, mas eu comprei um ticket com assento reservado e afins.
Na hora do meu trem avisaram que ele atrasaria meia hora. Quando deu a meia hora, mais 45 minutos. Nesse momento eu estava já pior que o cara do "Um dia de Fúria ": cansado, subalimentado e afins. Minha esposa idem, gripada também.
Quando deu a hora do trem chegar eles anunciaram: estariam parando a operação para uma inspeção no trem, sem previsão de volta. Falaram pra pegar a outra linha onde eu teria que comprar outro ticket e usar um caminho que não estudei fazer. Eu e mais centenas de pessoas, mtas estrangeiras na mesma situação.
Saímos e fomos nos informar com um funcionario junto com os gringos. O pessoal perguntava em inglês e ele respondia em japonês. Em certo momento ele se enfureceu, socou a parede ao lado dele e cresceu pra cima de um rapaz (estufou o peito, gritou e afins, algo que eu nunca passei nem no Brasil). Saímos de lá.
Ao voltar para o saguão do aeroporto fui me informar do ônibus. O próximo para a região que estou era só 6 horas mais tarde.
Desisti... consegui chamar um uber, paguei 270 dolares (dinheiro que eu não tenho e vou ter que lidar com a fatura do cartão depois), ao invés de uns 20 do trem, pra me livrar se tudo aquilo. Nunca me senti tão desinformado e cansado, vulnerável numa terra estranha num evento cataclísmico. O desrespeito do último funcionário foi a gota dágua, eu estava derrotado, esgotado, enfurecido e desassistido.
Agora estou descansado, alimentado e quero esquecer esse primeiro dia pra curtir os demais. Os japoneses são solícitos e educados, mas na ocasião desse tufão faltavam informações em inglês e com certeza tinham menos funcionários do que necessário, especialmente que falam qualquer outra língua que não japonês no aeroporto.
Conclusão: não tenha azar, não chegue num país estranho depois de um tufão
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2019.06.23 23:56 d3rr1c53xpl0r3r Como tudo aconteceu (Na minha Cabeça)

Depois de ter ouvido todos os 24 episódios do Caso Evandro é impossível não formar uma narrativa própria na sua cabeça. Ao longo desses 24 episódios você transita entre a culpabilidade e inocência dos sete acusados. Impossível não, já que num caso tão conturbado quanto esse e com tantas variáveis fica difícil acreditar 100% em qualquer depoimento ou confissão. Pensei em esperar que todos os episódios saíssem antes de fazer esse post, mas aí lembrei que o Ivan mencionou que dará o seu parecer pessoal de como acha que as coisas aconteceram. Então para que não haja “Depois de ter ouvido fica fácil falar”, eu vou postar agora. Até para que eu não me influencie pela versão dele. Caso nos próximos episódios alguma coisa bombástica venha à tona e mude a minha opinião, eu irei colocar edits na minha postagem.
Só para que vocês entendam um pouco sobre mim venho de uma família umbandista e cresci entremeio sessões espiritas em casa, centros de umbanda e candomblé e “presenciei” sacrifícios de animais (Por ser pequeno na época, nunca me deixaram ver o ato, mas via o resultado nos dias seguintes. Como já ficou claro, as vísceras têm que ficar no alguidar por 3 dias antes de serem descartadas em água corrente, ou levadas a uma encruzilhada). Meu avô (Já falecido) era pai de santo e minha tia filha de santo e atendíamos apenas família e vizinhos próximos. Nunca tivemos um centro propriamente dito. E como isso já faz bastante tempo, obviamente algumas coisas me somem à memoria então fui pesquisar mais sobre o assunto.
Antes que eu comece, até para que vocês entendam um pouco melhor sobre as religiões Afro-Brasileiras, existem VÁRIAS vertentes. Sabe aquela coisa de brasileiro “gourmetizar” as coisas? (isso será importante na minha versão da história) Pois bem, com essas religiões não é diferente. Primariamente vieram da África com seus escravos TRÊS religiões, a Umbanda, a Quimbanda (ou Kimbanda) e o Candomblé. Sendo a umbanda e a quimbanda cultos semelhantes. Na “Umbanda Branca” temos o trivial de sessões espiritas, atendimento aos consulentes e o famoso passe (Algo apenas para dar uma paz de espirito a quem precisa, limpeza de aura e etc.) e oferendas à Yemanjá, Oxalá, Xangô, Ogum, Oxossi, Iori, Iorimá, que são as 7 linhas da umbanda. Na “Umbanda Negra” ou Quimbanda também há 7 linhas, todas chefiadas (encabeçadas) por diferentes Exus, que esses por sua vez em troca de sua sabedoria e conhecimento de outros Exus da gira (networking) pedem oferendas mais “caras”, oferendas de sacrifício de sangue. Dependendo do que lhes é pedido os tipos de oferenda variam desde uma simples galinha até humanos. Na África até hoje esses sacrifícios acontecem segundo o que pude encontrar (Não sei se é verdade). Eu poderia fazer um post apenas sobre isso, pois é uma assunto MUITO extenso e complexo. Pois bem, abaixo vocês podem conferir a minha versão do acontecido. Algumas coisas apenas os envolvidos sabem e ninguém NUNCA saberá a verdade.
Chega em Guaratuba no começo de Janeiro de 1992, o “Pai-de-Santo” e jogador de Búzios Osvaldo Marceneiro com sua então namorada Andrea Barros e os mesmos tentam estabelecer negócio na feira de artesanato no centro da cidade. Antes que os outros integrantes da feira se opusessem a permanecia de Osvaldo na feira, o mesmo conhece Beatriz Abagge que como declarou varias vezes gostava de misticismo e coisas do gênero. Após algumas leituras de Búzios os dois se tornaram próximos e assim começaram um relacionamento de amizade. Beatriz por sua vez leva seus pais a uma consulta em 29 de Janeiro de 1992.
Osvaldo por morar no imóvel de Carmelita Cristofolini, ficou sabendo do terreiro da Mae Hortência o qual Beatriz Abbage também frequentava. Carona vai e carona vem, já que Osvaldo não tinha carro (como declarou), os dois vão ficando cada vez mais próximos. Beatriz Abagge recém separada de seu noivo, estava obviamente em busca de respostas e um direcionamento em sua vida e recorreu a ajuda de Osvaldo nos búzios (Aquela coisa de mulher, “será que ele vai voltar”, “será que ele ainda gosta de mim” e etc.). Contundo Osvaldo oferece não apenas o consolo espiritual, mas também um consolo emocional e o que era amizade acaba se tornando um affair. Aí pronto, isso é o suficiente para que Beatriz comece mover montanhas por Osvaldo. Logo após isso os outros integrantes da feira de artesanato começam uma movimentação para que Osvaldo e Andrea sejam removidos da feira e com o apoio de Beatriz, Osvaldo vai à prefeitura de Guaratuba para pedir ao Prefeito Aldo Abagge que o conceda um alvará de funcionamento na Feira. Com isso Osvaldo conhece Davi Dos Santos Soares que era o Vice-Presidente do conselho dos artesãos e esses se tornam amigos. (Não sei ao certo, ou não me lembro de onde Vicente de Paula e Osvaldo se conhecem ou quando se conhecem). Pois bem, Osvaldo consegue a permissão para permanecer na feira lendo os seus Búzios.
Osvaldo, um jovem que na verdade era FILHO-de-Santo precisa se “firmar” para conseguir se tornar um Pai-de-santo propriamente dito e abrir o próprio Terreiro em Guaratuba com a ajuda de Beatriz Abagge. Osvaldo foi vulgarmente chamado de “pai-de-santo” por todos por ignorância dos que não conhecem como a religião de fato funciona. Só é considerado “Pai-de-Santo” quem tem um terreiro e passa por uma iniciação feita por um outro Pai-de-Santo que tem um terreiro em funcionamento. No caso da região de Guaratuba já existia um terreiro, o da Mãe Hortência, e por motivos não sabidos talvez a Mae Hortência não quis iniciar Osvaldo (O que já é um red flag). Pois bem, Osvaldo ambicioso e com sede de se estabelecer de vez em Guaratuba pois agora estava apaixonado por Beatriz vai atrás de informações para fazer a sua própria iniciação como Pai-de-Santo na umbanda. Entendam, para que alguém se torne Pai-de-Santo, o mesmo deve possuir amplo conhecimento sobre a religião, linhas de trabalhos, tipos de espirito, como proceder no caso de algo dar errado numa sessão, e principalmente, o quão forte o “cavalo” é, se aguenta a pressão imposta pelos espíritos. (Algo que não mencionei no texto acima sobre as religiões, é que Umbanda e Quimbanda se entrelaçam de uma maneira homogenia. Quem segue uma acaba seguindo a outra indiretamente, já que as duas juntas são o ponto de equilíbrio. Sendo uma sempre contraria à outra.).
Já envolvido com Vicente de Paula e Davi dos Santos Soares, Osvaldo começa a busca de sua primeira oferenda. Oferenda essa para se auto iniciar como Pai-de-Santo. Com isto, o menino Leandro Bossi desaparece em 15 de Fevereiro de 1992. Não temos detalhes sobre esse acontecido pois como tudo consta o menino Leandro continua “desaparecido”. Há “informações” de que o corpo havia sido descartado no mesmo rio onde o saco com partes de Evandro seriam encontrados mais adiante, porem nada de concreto foi constatado. Vale ressaltar que não acredito que Beatriz e Celina estejam envolvidas nesse desaparecimento, inclusive acho que Beatriz na época do ocorrido em Fevereiro não ficou sabendo que havia sido Osvaldo o responsável por isso, pois ate então os dois não eram tão próximos assim e obviamente Osvaldo não queria assustá-la. Pois entendam, somente quem segue a religião e a estuda, entende a razão do sacrifício e não encara isso como um crime, pois o está fazendo por suas crenças e o vê como necessário para obter o que almeja. (Não estou de maneira nenhuma defendendo a prática, e de fato apesar da religião requerer tais sacrifícios os mesmos não deverão ser praticados pois envolve o assassinato cruel de um semelhante. Aqui sem dúvida entra a linha tênue entre a crença e a moral do ser humano)
O menino Leandro continua desaparecido e ninguém tem pistas, apenas o relato de Diógenes de ter visto Leandro na garupa da moto com Osvaldo (?). Portanto esse acontecido segue em paralelo enquanto as vidas dos 7 acusados continuam e tudo está maravilhoso. Osvaldo, De Paula e Davi estava certos que nunca ninguém descobriria o que aconteceu, como de fato não descobriram, pois, o retrato do Menino Leandro Bossi continua na pagina do SECRIDE na seção de crianças desaparecidas, ou seja, não falecidas. Portanto não há materialidade para se constatar que um homicídio ocorreu.
Passam-se então quase dois meses até que cheguemos ao desaparecimento do menino Evandro Ramos Caetano. Nesses dois meses, na minha cabeça entendo que muitas coisas aconteceram, principalmente entre Beatriz Abagge e Osvaldo Marceneiro. Os dois com certeza se tornaram ainda mais próximos, porem Osvaldo tinha Andrea, a qual já suspeitava do affair entre os dois. Daí vem os relatos de ciúmes excessivo de Osvaldo e de possíveis agressões. Só quem trairia (ou trai), acha que está sendo traído. Pensem, o affair de Osvaldo e Beatriz jamais poderia vir à tona, por várias razões. Primeiro, Osvaldo era juntado com Andrea que veio com ele pra Guaratuba, ela talvez não tivesse pra onde ir caso os dois se separassem e por esse motivo Osvaldo talvez se sentisse responsável por ela, já que a mesma o acompanhou ate Guaratuba. Segundo, Beatriz era filha do prefeito e da poderosa Família Abagge, e não poderia ser vista com tendo um caso com um “Pai-de-Santo”. Isso iria colocar em xeque a credibilidade da família perante a política local e até mesmo estadual. Sem mencionar que na cidade o mesmo já era visto com maus olhos pelos artesãos e obviamente pelo eleitorado católico, predominante em cidades do interior brasileiro, incluindo Celina Abbage.
Porém, sabem como é não é verdade? Basta apenas que uma dádiva seja concedida para que o descrente se torne crente. Nesses dois meses Osvaldo dever ter feito alguma previsão que se tornou realidade, ou fez algum trabalho (Oferenda) para Beatriz que se provou frutífero e a mesma juntada de seus sentimentos por Osvaldo mergulhou de cabeça na idéia. Nesse interim Beatriz começou um trabalho de convencimento com seus pais com prováveis “Tá vendo, não disse que ele é serio” ou “Desde que o Osvaldo começou a fazer trabalhos nossa vida tem melhorado, estamos abrindo o Centro pra cuidar das crianças, você esta trazendo o partido pra cidade, vai Lançar a Denise como candidata e etc.” ou coisas do tipo. O que não sabíamos no começo do podcast mas ficou claro nos últimos episódios é que Celina era extremamente arrogante, ambiciosa e sedenta por poder. Logo, ao ver que as coisas estavam andando na vida da família atribuiu tudo (por influencia de Beatriz) à Osvaldo, esquecendo assim o seu catolicismo e se convertendo ao “Osvaldicismo”.
Osvaldo, sabendo que sua influência na família Abagge havia aumentado consideravelmente em poucos meses propõe à beatriz que abrissem um centro de Umbanda junto com De Paula e Davi que já estavam próximos ao “casal” nesta época. O único problema é em que cidades pequenas, notícias envolvendo a família do prefeito correm rápido. Logo ficou sabido que Beatriz estava envolvida na abertura de um centro de umbanda com Osvaldo. O que fez com que a mesma, até por pedido de seu próprio pai deixasse a idéia de lado pois não seria bom por motivos políticos. Enfim, com algumas coisas indo bem pra família Abagge atribuídas à Osvaldo faltavam as coisas principais serem “consertadas”. A serraria que não andava muito bem das pernas (e da onde provavelmente vinha o sustento de toda a família, já que pelo que dá a entender Beatriz, suas irmãs e sua mãe não tinham renda alguma ainda que estavam envolvidas em projetos aqui e acolá) e a força política que Aldo e Celina tanto queriam e que estava sendo ameaçada por Diógenes (com seus panfletos) e pelo outro candidato da oposição (o qual não me recordo o nome).
A família Abagge convencida de que Osvaldo tinha o poder de interceder por eles e ajudar a família a sair dos problemas políticos e financeiros que os afligiam pedem ajuda à Osvaldo. Agora lembrem-se de que Osvaldo não tinha nenhuma outra ocupação a não ser jogar búzios e ser “Pai-de-Santo”. Depois de meses de consultas com a população de Guaratuba e seu envolvimento com Beatriz, Osvaldo vê neste apelo a chance de fazer um pé de meia. Neste momento Osvaldo descreve à Beatriz o que deveria ser feito, quanto custaria e quem participaria. Acredito que Beatriz ao ouvir o que deveria ser feito deve ter se assustado e não deve ter concordado de primeira, porem Osvaldo lhe diz que é a única maneira de conseguir tais benefícios. Depois de conversa com sua família Beatriz e Celina decidem proceder com as orientações de Osvaldo. Começa então a segunda caçada ao próximo menino que teria de ser sacrificado. Entra aqui agora a parte da “Gourmetização” da religião. Osvaldo por conveniência ou não, não posso afirmar, envolveu o número 7 neste trabalho. Pois lembrem-se, há de fato 7 linhas de trabalho nas religiões afro-brasileiras. Coincidência ou não, neste caso acredito que não. Osvaldo, além de ter 7 letras, é um nome o qual a soma de suas letras pela numerologia também é 7. Evandro, além de ter 7 letras, também soma o número 7 quando usamos a numerologia. E o suposto ritual acontece no dia 7 de Abril 1992. Neste caso, não acredito que sejam apenas coincidências, pois são muitas. É aquele velho ditado, onde há fumaça há fogo. São muitas coincidências juntas, porém vamos chegar nessa parte quando falarmos sobre as torturas.
Após a aceitação da proposta de Osvaldo, a família Abagge, começa a premeditação do ritual. Se o que falei sobre o número 7 no parágrafo acima confere, então Evandro se torna um alvo. Pois lembrem-se, para que o menino escolhido se encaixasse nos parâmetros, eles deveriam saber o nome do garoto, não poderia ser qualquer garoto. Então assim, as Abagge começam a pensar nos meninos os quais elas sabiam o nome e que poderiam se encaixar no pedido de Osvaldo. Os pais de Evandro estavam diretamente ligados à prefeitura, sendo sua mãe Maria trabalhando na Escola onde Evandro frequentava e o seu Pai Ademir na prefeitura. Logo, a família Abagge conhecia a família Ramos Caetano muito bem, e sabia o nome de seus filhos. Por um infortúnio Evandro se encaixava perfeitamente. Agora, colocando de lado o simbolismo do número 7, Evandro só estava na hora errada no lugar errado e fui abduzido pois era um menino. Pensem, proveniente de uma família humilde, os Ramos Caetano jamais pensariam que a família Abagge, a mais poderosa de Guaratuba faria uma coisa dessas. Mas sabe aquele negócio de é tão óbvio que ninguém nunca suspeitará? Pois então, mas o que eles não esperavam é que Diógenes estaria à espreita aguardando um passo em falso para que ele atacasse.
Eis que no dia 6 de Abril de 1992 por volta de 9:30 da manhã por um acaso (ou não, pois acredito que o menino Evandro não fazia aquele trajeto todos os dias naquele mesmo horário. Naquele dia ele não havia tomado café (ou esquecido o mini-game) e foi até em casa buscar na hora do recreio) enquanto passando pelas redondezas da casa dos Ramos Caetano, as Abagge avistam o menino Evandro indo pra casa e o seduzem com balas para dentro do carro. Voltando à simbologia do numero 7, lembrem-se de que o ritual seria feito no dia 7, logo elas deveriam ter o menino um ou dois dias antes apenas, pois o mesmo deveria estar vivo no momento do sacrifício e não teriam onde deixar o menino por um longo período de tempo caso o tivessem raptado por muito tempo antes de poder fazer o ritual.
Vale voltar um pouco no tempo para mencionar o relato de Diógenes dizendo que Osvaldo havia espalhado pela cidade que uma grande tragédia iria acontecer e iria virar a cidade de pernas pro ar. Aqui é a parte onde ele mesmo começa a entregar a corda pra que fosse enforcado mais adiante. Sabendo do ritual que aconteceria, já que as Abagge haviam concordado, Osvaldo viu aí a oportunidade de se tornar “famoso” pois ele haveria previsto um acontecimento antes que o mesmo houvesse ocorrido, OU, o mesmo de fato viu nos búzios que algo viraria a cidade de pernas pro ar, mas não sabia que ele estaria envolvido. Afinal, ninguém comete um crime esperando ser pego, certo?
Depois do rapto do menino Evandro no dia 6 começam os preparativos para o ritual no dia seguinte, dia 7. Airton Bardelli, já envolvido com Osvaldo por intermédio de Beatriz recebe a ordem de que no dia seguinte todos da serraria deveriam ser dispensados mais cedo às 6 horas da tarde, para que o trabalho pudesse acontecer às 7 (?). Aqui fica a minha duvida, e eu não sei responder essa questão de como Bardelli e Cristofolini entram no ritual. Será que apenas para composição de quórum, já que Osvaldo disse que precisariam de 7 pessoas? Osvaldo pediu à Cristofollini, seu então vizinho para que apenas os ajudasse compondo o grupo, e a mesma coisa à Bardelli por parte de Beatriz já que Bardelli estaria na Serraria e seria responsável pelos funcionários não estarem lá? Isso é uma das coisas que jamais saberemos. Porém, não acredito na parte que a serraria ficou fechada uma semana para que eles pudessem limpar o local e etc., qualquer idiota colocaria um pedaço grande de lona ou plástico para forrar o chão e não ter que lavar ou limpar o sangue depois. Se eles não o fizeram assim, foram burros – fica a dica pra próxima rs.
O Ritual acontece de acordo como relatado, onde o menino Evandro é oferecido em forma de sacrifício para um Exu (Não para o Diabo, não para Satã, não para nada disso). Acreditem ou não, mas Exus em sua grande maioria não são espíritos maus, são apenas mensageiros entre o mundo dos vivos e dos mortos os quais cobram pelos seus serviços (em forma de oferendas). Contudo, há também Exus de má índole, que são espíritos não evoluídos e que agem pelo lado errado da gira. Qual o Exu ao qual o menino Evandro foi oferecido, nunca saberemos. Após o ritual ser terminado os 7 deixam a serraria e Beatriz e Celina voltam pra casa, e Celina vai à tal festa com Aldo. Osvaldo, De Paula, Davi, Bardelli e Cristofolini se dirigem às suas casas. Aqui fica aquela confusão sobre o dia 6 ou dia 7, bar da dobradinha, jantar na casa de Antonio Costa. E também onde Andrea desmente o álibi de todos, pois diz ter visto Osvaldo e De Paula saindo com roupa de trabalho e sendo buscado por Beatriz. Mais um indício de que Osvaldo e Beatriz estavam tendo um affair o qual Andrea já sabia e por vingança não encobriu o seu namorado.
Voltando ao dia 6, após o desaparecimento de Evandro, sua família obviamente estava recorrendo a qualquer tipo de ajuda. Nisso chega a notícia no terreiro da mãe Hortência por meio de Davina de que o menino havia sumido e a família estava pedindo que pessoas se dirigissem à casa da família para orações. Não obstante, Vicente de Paula vai à casa dos Ramos Caetano e recebe a entidade que se propõe a ajudar porem não quer fazer naquele momento pois o “cavalo” não está com a roupa adequada. A entidade pede que o mesmo coloque sua roupa enquanto vai na “gira” ver se consegue achar o menino e que depois voltaria. Acho que é aqui que o resto está na casa de Antonio costa jantando após a sessão no terreiro. Depois do jantar quem vai ajudar na busca é Osvaldo com Davi dos Santos (que não é o “Cheiro” rs) junto com Davina e seu marido Mario. Quando a entidade pede que seja levada a uma rua que tenha palmeiras Osvaldo sinaliza que sentiu uma presença forte no final da rua perto do mato. Aqui na minha opinião, Osvaldo entrega mais um pouquinho de corda para ser enforcado na tentativa de fazer o seu nome como Pai-de-Santo. Depois da profecia de que haveria uma tragédia na cidade ele deve ter achado por bem profetizar a presença do menino naquela região pois já havia planos de desová-lo lá após o ritual. Porém isso foi mais uma bala na arma de Diógenes.
Cinco dias depois quando o corpo é encontrado no Sábado dia 11 de Abril a 30 metros do local onde Osvaldo havia sentido uma “presença forte”, as coisas começam a ficar suspeitas. Infelizmente o corpo encontrado está além do reconhecimento e fica difícil a confirmação porem como já sabemos o corpo encontrado está sem as mãos, sem alguns dedos dos pés, sem orelhas e olhos e sem órgãos internos incluído coração. E tudo isso é explicado nas doutrinas, a falta das mãos é para fortuna, do pênis para impotência, e assim vai. Não me recordo de todos. E é aqui que as coisas começam a ficar esquisitas e se esclarecer ao mesmo tempo. Mesmo que o corpo encontrado não seja de Evandro, seja de Leandro Bossi por exemplo. Os cortes citados, as partes faltantes do corpo são por coincidência de acordo com a doutrina de sacrifícios?! Não acredito, e tem mais, aqui cai por terra também a teoria de que Diógenes teria conspirado contra as Abagge. Pelos depoimentos de Diógenes ele se mostrou TOTALMENTE ignorante às religiões aqui envolvidas. Portanto, ele não saberia o que fazer com o corpo para que parecesse que um ritual de sacrifício tivesse sido realizado no corpo em questão. E mais, se hoje nem na internet se encontra tais instruções podemos imaginar em 1992. Só quem de fato é praticante há MUITOS anos tem acesso a como praticar tais rituais. Pois não é apenas pegar um corpo X cortar e tchau, como o nome diz é um ritual, portanto existem musicas, palavras a serem faladas dentre outras coisas e só quem estuda há um bom tempo sabe o que fazer.
Portanto quando Diógenes faz a sua denuncia no dia 29 de Maio de 1992 quase DOIS meses depois do ocorrido, ele se baseia em “fofocas” porém também em outros fatos, como sobre a do “Grupo Tigre” estar próximo à família Abagge durante as investigações. Se depois de dois meses ninguém sabe absolutamente nada, é porque alguma coisa tem, concordam? Depois da sua denuncia ao ministério público, o mesmo acha por bem colocar o “Grupo Águia” da PM em uma investigação paralela à da Polícia Civil que nada fez por dois meses. Aqui na minha opinião entra a parte onde Diógenes tinha sim uma agenda contra a Família Abagge. Por N motivos ele não gostava deles em especial à Celina que causou o divórcio de seus pais. Após ficar sabendo de tudo que ficou por intermédio de conhecidos, Davina, Edézio, Jorge Banana e cia, ele foi mais do que correndo colocar a sua denuncia pois então ainda que não tivesse provas concretas pra ele tudo aquilo fez sentido e ele tinha nas mãos o que sempre quis.
Não acredito que as testemunhas tenham mentido a pedido de Diógenes. E entendo o fato delas não terem se pronunciado no dia, ou dias depois. Morando numa cidade pequena onde todos se conhecem, a família mais poderosa e talvez mais rica da cidade se envolve num crime hediondo desses, você se pronunciaria? Eu não me pronunciaria, e é a verdade. No caso de Edézio, ele ficou sem saída porque seu amigo Hamilton ao qual ele havia confidenciado ter visto as Abagge raptando o menino Evandro contou ao Diógenes que por sua vez deve ter obrigado ele a prestar depoimento do que havia visto. Não há nada de estranho nisso. A mesma coisa com o Jorge Banana, se eu estou pescando e vejo um saco cheio de restos mortais do que poderia ser um feto, meu barco viraria uma lancha de tão rápido que eu sairia de lá. E com peixe ou sem peixe no meu barco eu JAMAIS puxaria o saco pra dentro do barco. E é isso que talvez destrua a credibilidade das testemunhas, o MEDO. Ninguém quer admitir que tem medo, mas a grande maioria das pessoas tem, e por não querer admitir isso em juízo ou em depoimento acaba passando por mentiroso. Pois é muito fácil falar, “Ah, mas você viu que tinha mãos dentro do saco, cabelo e não pegou o saco?!”. Não, eu também não pegaria. Agora, se eu soubesse do que tinha acontecido (Coisa que Jorge Banana não sabia à época do ocorrido), e visto um saco com as coisas eu chamaria a policia sem dúvida alguma, porém se não soubesse, aquele saco de cal iria ficar lá pra sempre.
Finalmente chegamos às prisões dos dias 1,2 e 3 de Julho de 1992, onde os 7 acusados são presos. Aqui eu vou ser bem sucinto e explicito nas minhas opiniões. Eu acredito que todos tenham sofrido tortura sim, sem sombra de dúvidas. Porém pra confessar aquilo que de fato haviam cometido porque jamais confessariam de uma outra forma. Não defendo tortura e não acho que esse deveria ter sido o caminho a ser seguido. E acho que a maneira com a qual a PM conduziu as prisões e os interrogatórios foi o que estragou o caso. Se eles não tivessem torturado os réus a argumentação da promotoria teria sido muito mais forte e o único argumento da defesa seria o de que o corpo encontrado não era o de Evandro.
Agora as perguntas que ficam e talvez a chave de todo esse mistério é, se o corpo encontrado não é o de Evandro como afirma piamente até hoje o Delegado Luis Carlos de Oliveira, porque os acusados colocaram as roupas de Evandro no cadáver? O que eles tentaram fazer aqui? Encobrir uma morte com outra? Desovar o cadáver de Leandro Bossi que estava na geladeira que a Celina tirou da serraria como relatou Teresinha e por isso tinha marcas roxas e já estava em estado de putrefação como se fosse Evandro? O que vocês acham? Isso vai ficar no imaginário de cada um, pois nunca saberemos.
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2019.05.07 04:19 lucius1309 AFICIONADO

Apesar de toda a correria do dia a dia, procuro manter a higiene do espaço em que vivo. Limpo cozinha, quarto, sala, banheiro, lavo minhas roupas e o fogão geralmente não tem gotas de gordura ou óleo velho, nunca deixo louça suja de um dia para o outro e gosto de me organizar enchendo baldes com produtos de limpeza, molhando panos e passando rodos. Não que eu seja o maníaco da limpeza, mas toda a situação de morar uns dias na rua me traumatizou um pouco, até porque tenho pavor de ratos e aranhas, e na rua tinha que conviver com eles, e com a sujeira que qualquer cidade normal tem, e na época nada eu podia fazer pra mudar isso. Mas hoje eu tenho quatro paredes e um teto ao meu redor, e por isso tento manter em ordem.
Evitar velhos comportamentos é uma ótima maneira de criar novos hábitos.
Um dos meus principais comportamentos velhos sempre foi a falta de higiene. Meu quarto era cheio de baratas, cinzas de cigarros, camisinhas usadas, garrafas de vinho de 2 conto, latinhas de cerveja da mais fuleira, roupas sujas, paredes emporcadas e a porra toda. Eu vivia bem assim. Procurava beber o dia todo pra não ter que encarar essa situação de frente.
Mas agora não posso mais.
Sempre soube me virar nas mais diversas situações.
Certa vez eu estava saindo com uma moça, ela tinha 30 e poucos anos, sua aparência estava um pouco sofrida devido ao casamento que acabara de terminar com um alcoólatra, fora o trabalho e os dois filhos pequenos. Tudo isso somados à doença da mãe (Alzheimer) e vários problemas emocionais, principalmente relacionados à auto estima. Ficamos quase dois meses juntos, e nos primeiros dois encontros eu fui na casa dela pronto pra transar, mas ela alegou dor de cabeça. No terceiro encontro ela alegou dor de cabeça de novo, saquei do meu bolso uma dipirona e disse que não teria pressa pra esperar essa dor passar. Naquele dia transamos, e não foi exatamente como eu esperava. Acho que ela também não achou nada de mais.
Aos poucos fomos nos distanciando, acabamos perdendo contato e, os dois grandes amigos haviam se tornado dois estranhos um pro outro. Mas a partir daí, comecei a levar sempre junto das camisinhas, dipironas, pra todos os meus encontros com as mulheres que vieram depois dela. E se eu falar que nunca me ajudou, eu estaria mentindo.
Sou um completo aficionado, obsessivo e compulsivo por tudo o que a vida pode oferecer.
Coisas boas ou ruins.
Talvez seja meu problema.
Garotas de 14 anos postam em redes sociais que são "intensas demais" e por isso sofrem muito. No caso delas é drama, no meu caso é constatação real. Não que eu sofra muito, hoje tenho uma vida excelente, ganho mais do que posso gastar, transo com uma menina de 21 anos e tenho dois amigos pra dar risada às vezes, e isso tudo basta pra dizer que estou numa das melhores fases da minha vida (se não a melhor), mas todas as pancadas que levei, todas as surras que tomei, todas as vezes que tomei no cu (incluindo duas vezes em que o termo "tomar no cu" quase foi literal pra mim; e que prefiro nem lembrar), isso tudo me tornou um cara cético, que não confia em ninguém além de mim mesmo, que tem medo de deixar as coisas importantes nas mãos de outras pessoas, pelo simples receio de que essas pessoas não vão saber cuidar dessas coisas como eu cuido, não vão ter o carinho que eu tenho, e podem foder com tudo.
Eu deixo minhas memórias conduzirem a minha vida.
Sei que preciso me libertar de mim mesmo, do meu passado e viver o meu presente. Eu sei que meus comportamentos permanecem errados mesmo depois de mais de dois anos longe da garrafa, das noitadas, das putas e das brigas com traficantes.
Linhas e mais linhas de cocaína espalhadas em cima de mesas, cadernos, celulares e até nas costas de piranhas que nem lembro o nome.
Não é fácil mudar maneiras de pensar que perduraram por mais de 20 anos. Até porque sou extremamente conservador na minha maneira de pensar. Não conservador no sentido político da coisa, inclusive concordo com muita coisa que a esquerda vem pleiteando, acho nosso atual presidente um imbecil (mas confesso que dou risada vendo ele ser esse completo palhaço), principalmente em suas formas radicais de pensar, que estão colocando em risco a vida das pessoas que elegeram ele, não só da oposição.
Faz sinal de arminha agora.
Mito.
Rs.
Deixando a política de lado e voltando para a patética vida do narrador desse texto, eu tenho dificuldades de mudar maneiras de pensar, quando me abraço a uma verdade eu me abraço achando que ela é absoluta, estou sempre aberto a ouvir opiniões, mas eu sempre acho que a minha está mais certa do que a da maioria. Eu sei que isso é errado, que eu deveria mudar, mas acho que todo mundo tem tanta coisa pra mudar e também não consegue, não vai ser de uma hora pra outra que eu vou conseguir.
Até porque meu sangue não é azul e até o presente momento, meu mijo não é gasolina. Não sou mais especial do que ninguém.
Quem sabe daqui uns 40 anos eu tô no mesmo patamar de um Dalai Lama ou de uma Madre Teresa de Calcutá.
Mas hoje não.
Hoje eu saí a tarde pra comprar um chip pro meu celular, a ideia é ter um número profissional e um número pessoal, com o simples intuito de não ser tão obcecado pelo trabalho como venho sendo nos últimos dois anos. Moro num bairro super tranquilo, subi caminhando até a lan house mais próxima, comprei meu chip, paguei as doze pratas devidas e estava descendo a rua de volta pra casa quando encontrei um amigo completamente embriagado na calçada de sua casa.
"Carlos, quanto tempo que não te vejo!" e veio me abraçando sem pedir licença.
O bafo de cerveja me deixou excitado.
"Pois é André, quanto tempo mesmo. Como cê tá?" perguntei por mera educação.
"Brigando com a vida, bebendo pra caralho e nesse exato momento, juntando dez conto pra ir comprar um pino."
Olhei pra ele, dei uma risada vazia e ele retribuiu a risada.
"Escuta cara, eu vou descendo lá pra casa, depois a gente se tromba."
"Espera." ele me segurou "Você não tem os dez contos pra me emprestar não? Te pago depois, sempre paguei, cê tá ligado."
Tirei uma nota de cinco da carteira, coloquei na mão dele e saí correndo dali.
Sei que o mais correto seria tentar ajudar, chamar ele pra ir pra um alcoólicos anônimos ou coisa assim, perguntar se ele queria ou não conversar sobre a vida de merda que ele vinha levando, mas eu não sou esse cara. Tudo o que eu mais quero é salvar meu próprio rabo do meu pior inimigo (eu mesmo, no caso), e não tem sido fácil, e não vai ser nunca. Essa luta comigo mesmo nunca vai acabar, e é mais fácil que eu aceite isso logo e faça o melhor por mim, não pelos outros.
Muitas vezes eu tenho vontade de sumir, não me matar, a ideia de me matar hoje é obsoleta pra mim, uma vez que tentei oito vezes e não fui, então desisti. Esse negócio de morrer não é comigo. Mas sumir no sentido de deixar todas as pessoas que conheço pra trás, abandonar família e recomeçar em algum lugar nesse ou noutro país. Pegar o dinheiro que tenho guardado, beber metade dele e a outra metade, beber também. Com alguma sorte eu chegaria à alguma conclusão, e adquiriria uma consciência plena de todas as coisas (ou uma cirrose hepática, que seja), mas sumir não resolveria meus problemas de anos e anos, e uma hora eles voltariam com mais força ainda. Obviamente eu não saberia resolvê-los.
Como ainda não sei.
Por enquanto venho fazendo o simples, limpando a casa e deixando tudo o mais organizado possível. Tentando tirar cochilos pela tarde e deixar meu telefone desligado nos meus dias de folga. Não querer fracassar já é uma maneira sutil de vencer. Levantar da cama todos os dias pra fazer o simples, já é uma grande vitória pra um cara que há quase três anos atrás estava bebendo quinze ou vinte dias sem parar, esperando a morte vir buscá-lo.
Não que eu seja melhor ou pior, eu só cansei de sofrer como tava sofrendo. E decidi tentar. E tá dando certo.
Só por hoje tá dando certo.
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2019.05.04 20:54 fidjudisomada Primeira Liga 2018/9, #32: SL Benfica 5-1 Portimonense SC

ALMA, GARRA E FOGO

Um Benfica com garra, confiança e determinação desbloqueou e contornou os problemas criados pelo Portimonense no Estádio da Luz, caminhando, golo a golo na segunda parte, para um triunfo robusto na 32.ª jornada da Liga NOS (5-1). Com 96 golos apontados (média de 3 por partida) e 81 pontos conquistados, as águias comandam a competição. Faltam duas finais!
Com circulação de bola rápida, tentando explorar passes a rasgar a defensiva do Portimonense, o Benfica procurou pressionar nos minutos iniciais da partida e alcançar o primeiro golo. Aos 8', Seferovic libertou-se pelo eixo do ataque para corresponder à solicitação milimétrica e venenosa de João Félix; o camisola 14 das águias ficou cara a cara com o guarda-redes Ricardo Ferreira, fez um chapéu, mas este ficou curto, acabando o esférico por morrer nas luvas do camisola 1 do conjunto algarvio.
Desaproveitada a enorme oportunidade para ganhar vantagem na partida, o Benfica teve de suportar a resposta do Portimonense, rápido e persistente nos contra-ataques. Aos 11', após um lance trabalhado sobre a esquerda por Paulinho, Lucas Fernandes chutou para defesa de Odysseas; na recarga, Dener atirou por cima da barra. Era um aviso... e seria reforçado aos 22', num lance desenvolvido por Tabata na direita, de onde cruzou com perigo; na insistência, Paulinho, melhor do que Florentino perto da linha de fundo, centrou para Dener, que disparou ao lado.
A partir deste momento, a equipa benfiquista começou a inclinar o relvado do Estádio da Luz, pondo a bola de forma sistemática na área do Portimonense ou nas imediações da baliza de Ricardo Ferreira. Aos 27', depois de uma recuperação de Jardel, Seferovic deu gás à ofensiva, a bola chegou ao lado direito e Rafa cruzou para o meio da área, onde João Félix cabeceou por cima da barra. No minuto seguinte, Grimaldo recebeu de Pizzi na esquerda, devolveu o esférico ao 21 e este rematou para defesa do guarda-redes do adversário algarvio.
Num contragolpe, o Portimonense teve espaço na direita, Dener rompeu, passou e Tabata atirou para defesa de Odysseas (41'). Em cima do tempo de intervalo (45'+1'), o Benfica dispôs de mais uma chance para faturar, mas Ricardo Ferreira voou e defendeu a bola pontapeada por Samaris num livre direito descaído para a esquerda, já perto da linha limite da área.
No reatamento, João Félix foi o primeiro a manifestar vontade e intenção de agitar as redes (remate na área, aos 52', bloqueado por um defensor), mas o golo inaugural surgiu pelos pés de um jogador forasteiro: Tabata, aos 53' escapou na profundidade, contornou Odysseas e, descaído para a direita, tocou para o interior da baliza (0-1).
Bruno Lage promoveu a primeira alteração na equipa encarnada aos 61', saiu Samaris, entrou Jonas. No minuto seguinte (62'), Rafa pressionou Lucas Possignolo no corredor central, conquistou a posse de bola, correu para a área e picou a bola sobre Ricardo Ferreira, que tentara a mancha (1-1). O Estádio da Luz rebentava de emoção e multiplicava o apoio aos jogadores.
O Benfica voltou a acentuar a inclinação do terreno de jogo e o 2-1 aconteceu aos 64', com Seferovic a trabalhar na área sobre a esquerda, a lançar para um pequeno duelo de Grimaldo no espaço central, de onde a bola sobrou para a intervenção de Rafa, que dominou e chutou de forma indefensável. Foi o 15.º golo de Rafa nesta edição da Liga NOS (já é o segundo melhor marcador das águias na prova).
Consumada a reviravolta, as águias ficaram com o jogo completamente na mão e só um passe errado permitiu que o Portimonense voltasse a desenhar uma jogada perigosa, mas Jardel foi imponente aos 78' e intercetou o esférico no momento exato.
Após a segunda troca (saiu João Félix, entrou Gedson aos 79'), o Benfica alcançou o 3-1. Pizzi foi fortíssimo na construção e condução do ataque, entrou pela direita e centrou para Seferovic, que matou no peito e usou prontamente o pé esquerdo para novo episódio de explosão de alegria na Catedral (84'). Foi a 19.ª assistência de Pizzi neste Campeonato.
Perante 60 677 espectadores, o 4-1 foi fabricado aos 88': André Almeida, na direita, recebeu de Pizzi e cruzou para a finalização bem-sucedida de Seferovic. O camisola 14 das águias, melhor marcador da Liga NOS, esticou para 21 o número de golos nesta prova em 2018/19.
Para a última jogada da partida estava reservado o golo 300 da carreira de Jonas: à matador, no centro da área, o camisola 10 cabeceou com força e colocação como "pedia" a (12.ª) assistência de André Almeida na Liga 2018/19. Três pontos, missão cumprida na luta pela Reconquista!

BRUNO LAGE: “EXIBIÇÃO FANTÁSTICA COM REAÇÃO À CAMPEÃO”

“Uma reação à campeão.” Foi assim que, na opinião de Bruno Lage, a equipa do Benfica respondeu quando se viu a perder no Estádio da Luz frente ao Portimonense. Num “jogo muito difícil”, a vitória por 5-1 foi o coroar de uma “exibição fantástica”.
Análise ao jogo
“Um jogo muito difícil, como esperávamos. Jogámos contra uma grande equipa e um excelente treinador, que, por aquilo que foi a sua estratégia, equilibrou o jogo. Tivemos uma entrada muito forte, o Seferovic, na cara do guarda-redes, não fez o 1-0 para nós. Esta equipa do Portimonense tem uma dinâmica muito forte (os três homens da frente – e hoje sem Jackson – apresentam uma dinâmica muito forte) e tem um jogador muito forte que, de alguma forma, equilibrou o jogo na primeira parte, que foi o Paulinho. O Portimonense teve de correr muito para nos tentar bloquear. Tivemos algumas oportunidades de golo, tal como o Portimonense. A segunda parte foi completamente diferente, que começou com o golo do Portimonense. A partir daí, foi tudo nosso e fizemos uma exibição fantástica. É um facto: nós marcamos muitos golos porque criamos muitas oportunidades, porque o nosso posicionamento assim o favorece. Ultrapassámos mais um desafio. O mais importante de salientar é a nossa vitória, os três pontos, uma reação muito positiva, de campeão, ao golo do Portimonense. Seguimos em frente para uma nova final dentro de uma semana, com o Rio Ave.”
Conversa ao intervalo
“Aquilo que tentámos corrigir foi essencialmente o nosso início de jogo para que a bola chegasse a zonas mais adiantadas do terreno, quer por dentro quer por fora e termos consequência naquilo que é o nosso jogo ofensivo.”
Alteração na equipa
“Independentemente do golo do Portimonense surgir ou não, a alteração tinha de ser feita [saída de Samaris, entrada de Jonas e passagem de Pizzi para a zona central]. Para além de um posicionamento diferente, o Pizzi tem características diferentes e começámos a ter mais bola, a chegar mais à frente, com mais um homem entre linhas e fomos ao encontro daquilo que foi a nossa análise da equipa do Portimonense. Os espaços começaram a aparecer, as oportunidades também, em boa hora surgiu o primeiro golo do Rafa e, a partir daí, fomos muito fortes. Acaba por ser, eventualmente, um resultado pesado. O Portimonense, pelas oportunidades que criou, poderia ter feito mais um ou outro golo, mas acho que, merecidamente, a vitória fica bem para o nosso lado.”
Momentos de união e emoção no final do jogo
“Fundamentalmente é um sentido enorme de família, dentro do balneário, com jogadores, equipa técnica e estrutura. Há uma enorme ligação também, nós sentimos isso, com os nossos adeptos. O Portimonense marcou o golo e os nossos adeptos foram os primeiros a reagir para nos apoiar. O mais importante é isso: sentir que estamos todos ligados, dentro e fora de campo. É com esse espírito que temos de seguir em frente. Vencemos apenas um jogo, temos ainda duas finais e é com a entreajuda, o espírito de equipa e de família, ligação muito forte com os nossos adeptos que vamos disputar mais uma final.”
Euforia dos adeptos ou nervosismo dos jogadores?
“Também poderia dizer o contrário: para nos anularem têm de correr muito. Na parte final, nós aparecemos muito fortes. É um conjunto de todas as emoções. Se em Braga não entrámos bem, aqui entrámos muito bem. Estamos numa fase decrescente, faltam cada vez menos jogos, a margem de erro é mínima e tudo pesa. Mas o mais importante é olharmos para aquilo que são os 90 minutos e, claramente, a confiança vem daí. Da nossa força, do nosso trabalho, da maneira como os jogadores se entregam ao treino, ao jogo. Claro que, a partir do momento em que a equipa sofre um golo e a reação é automática, temos de ficar satisfeitos.”
Pressão dos dois últimos jogos
“Sim. Digam-me um jogo em que nós entrámos em que não existisse essa obrigação... Foram sempre finais. Estamos há quatro meses a disputar finais. O que mudou hoje foi o facto de o FC Porto jogar a seguir a nós. Tivemos os últimos 5/6 jogos a jogar já sabendo que o FC Porto tinha vencido os jogos. Por isso, a pressão é para novos, para mais velhos, é para a equipa toda. Mas é uma pressão no sentido de responsabilidade daquilo que temos em mão e que queremos muito conquistar. A maior pressão é fazer as coisas bem feitas, é esse o nosso foco.”
Sente que o título não escapa?
“Eu não vejo as coisas assim. Temos de vencer o próximo jogo, é mais uma final. E essa a mentalidade que temos. Não vamos mudar nada. As pessoas têm de perceber que, nos últimos dez jogos a seguir à nossa vitória no FC Porto, não poderíamos perder pontos em qualquer um dos jogos. No próximo domingo, perante o Rio Ave, temos mais uma final.”

Coisas e Loisas

  • Rafa chega ao 19º golo em 2018/2019. É o terceiro bis na Liga para o extremo;
  • Rafa a bisar na Liga 2018/2019: Chaves x Benfica; Benfica x V. Setúbal; BENFICA x PORTIMONENSE;
  • Haris Seferovic marca o 25º golo em 2018/2019. É o 5º bis do suíço na atual edição da Liga;
  • Jonas marca pela 10ª vez em 2018/2019. O avançado não marcava há quase 2 meses - Benfica x Belenenses SAD;
  • Benfica chega às 7 vitórias consecutivas na Liga: Moreirense 0x4 Benfica; Benfica 1x0 Tondela; Feirense 1x4 Benfica; Benfica 4x2 V. Setúbal; Benfica 6x0 Marítimo; Braga 1x4 Benfica; BENFICA 5x1 PORTIMONENSE;
  • Benfica de Bruno Lage na Liga: 17 jogos; 16 vitórias; 1 empate; 65 golos marcados; 13 golos sofridos;
  • Benfica a golear na Liga: Nacional (Vitória); Feirense (Vitória); Braga (Vitória); Boavista (Lage); Nacional (Lage); Aves (Lage); Chaves (Lage); Moreirense (Lage); Feirense (Lage); Marítimo (Lage); Braga (Lage); Portimonense (Lage);
  • André Almeida a assistir 2 vezes num jogo da Liga 2018/2019: Tondela 1x3 Benfica; Benfica 6x0 Marítimo; BENFICA 5x1 PORTIMONENSE;
  • Haris Seferovic a bisar na Liga: Benfica 4x2 Rio Ave; Benfica 5x1 Boavista; Benfica 10x0 Nacional; Feirense 1x4 Benfica; BENFICA 5x1 PORTIMONENSE;
  • Melhores ataques da Liga: Benfica - 96; FC Porto - 68; Benfica de Bruno Lage - 65; Sporting - 62;
  • Benfica marcou, pelo menos, 4 golos nas últimas 5 jornadas da Liga: Feirense 1x4 Benfica; Benfica 4x2 V. Setúbal; Benfica 6x0 Marítimo; Braga 1x4 Benfica; BENFICA 5x1 PORTIMONENSE;
  • Mais assistências na Liga: Pizzi - 19; Bruno Fernandes - 16; André Almeida - 12; Grimaldo - 10;
  • Melhores marcadores do Benfica: Haris Seferovic - 23; João Félix - 18; Rafa Silva - 17; Jonas - 14; Pizzi - 14;
  • Melhores registos do Benfica - Liga: 63/64 - 103; 72/73 - 101; 46/47 - 99; 18/19 - 96;
  • Equipas que mais vezes acertaram na baliza do Benfica (conjunto das 2 voltas) - Liga: Portimonense e Sporting - 10; Belenenses e Braga - 9; Tondela, Aves e FC Porto - 8.

Multimédia

Eleição do MVP

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. O resultado foi justo? Na tua opinião, o que faltou à equipa para alcançar um resultado ou exibição melhor?
  2. Está satisfeito com a resposta da equipa hoje? Qual foi o aspeto do jogo que mais te impressionou?
  3. Com o benefício da visão a posteriori, que alterações farias ao 11 inicial?
  4. Em retrospetiva, o que farias diferente ao longo do jogo? Como avalia os critérios de substituição? Trouxeram algo diferente ao jogo?
  5. Qual foi o jogador que mais se destacou com a camisola do SL Benfica? Nessa nota, quem foi a maior deceção?
  6. Quais são os aspetos positivos que o SL Benfica pode tirar deste jogo?
  7. Enfrentaremos o Rio Ave FC na próxima partida, no Estádio dos Arcos, em jogo a contar para a 33.ª rodada da Primeira Liga 2018/9. Quais as perspetivas?

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2019.05.02 08:42 throwawaypwong Nunca é tarde para mudar de direção

Galera, gostaria de criar um post aqui de motivação. Eu escrevi minha primeira linha de código aos 23 anos. Normalmente existe aquela ideia do cara que programa é do moleque que começa com 12 anos e é um gênio . Se você começa tarde já está muito velho, melhor fazer outra coisa. Eu diria que isso talvez seja verdade para um esporte ou para instrumento, mas as pessoas superestimam o tempo que demora para aprender a programar, acredito que com foco em menos de 1 anos (talvez até menos!), você já consiga se inserir no mercado.
De qualquer forma mudei de área e fui fazer curso de computação. Sofri várias reprovações e me questionei várias vezes se era para mim. Fui rejeitado em inúmeros estágios. Teve um professor que disse que quem tirasse menos de 65% na matéria dele talvez não tivesse jeito para a área. Eu tirei 55%. Não fiz amigos no curso, as pessoas pareciam estar muito ocupadas para se relacionar comigo. Terminei dois relacionamentos porque não tinha tempo para investir nas meninas, muito estudo. Realmente não sei porque eu continuei, acho que eu realmente gostei da área e achei que se insistisse, uma hora ia dar certo.
Pois bem, persisti. Fiz portfolio, participei de competições de programação online, continuei melhorando ( e reprovando). Apliquei no site de várias empresas nos EUA e recebi a resposta do Facebook. Estudei algoritmos e estrutura de dados como um condenado por alguns meses e de alguma forma passei.
Semana que vez vou pegar o avião e ir para São Francisco começar meu estágio. Eu só queria compartilhar a história porque as vezes a gente se acha um merda, é rejeitado, e a faculdade e familiares nos colocam lá pra baixo, mas se você realmente quer algo, persista. Você só precisa acertar uma vez. Não use idade como desculpa., se você quer mudar para uma área que você acha mais promissora, just do it.
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2017.12.12 03:04 subreddit_stats Subreddit Stats: curitiba top posts from 2012-02-22 to 2017-12-08 18:00 PDT

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  1. 962 points, 182 submissions: chiphead2332
    1. De modelo a defasado: o declínio do sistema de ônibus de Curitiba (15 points, 1 comment)
    2. Richard Stallman, fundador do movimento Software Livre, do Projeto GNU, e da Free Software Foundation, faz palestra em Curitiba dia 2 de junho (12 points, 1 comment)
    3. 5 museus de graça que são pouco conhecidos na capital paranaense (11 points, 0 comments)
    4. Curitiba teve fevereiro mais quente em 14 anos (11 points, 0 comments)
    5. Massa de ar Polar promete trazer frio avassalador para Curitiba nos próximos dias (11 points, 1 comment)
    6. Prefeitura implanta em Curitiba o compartilhamento de bicicletas (11 points, 1 comment)
    7. Bicicletas compartilhadas chegam no 2º semestre em Curitiba (10 points, 2 comments)
    8. Cientista curitibano está entre os cotados para o Nobel de Física (10 points, 0 comments)
    9. Curitiba receberá pela primeira vez festival internacional de divulgação científica (15 a 17 de maio) (10 points, 0 comments)
    10. Curitiba tem uma média de quase seis assaltos a ônibus do transporte público por dia (10 points, 1 comment)
  2. 330 points, 48 submissions: gordori
    1. Google Transit agora mostra os horários dos ônibus em tempo real em Curitiba (15 points, 0 comments)
    2. Número de atropelamentos em Curitiba cai 36,5% em dois anos (13 points, 0 comments)
    3. Pipoteca: conheça história do produto mais conhecido de Curitiba (13 points, 0 comments)
    4. Curitiba e região terão 5 novos shoppings; saiba como está a situação de cada um (12 points, 2 comments)
    5. Histórico da tarifa de ônibus em Curitiba (12 points, 1 comment)
    6. Curitibanos afirmam que o transporte do futuro é o público, mas maioria usa veículo particular (11 points, 1 comment)
    7. Eleições 2016: Qual a sua opinião sobre o Fruet? (11 points, 5 comments)
    8. [Humor] Winston Greca / Rafael Churchill (11 points, 3 comments)
    9. As marcas do paranismo na arquitetura de Curitiba (10 points, 1 comment)
    10. China presenteia Curitiba com escultura semelhante a obra desprezada por sua praça mais famosa (10 points, 0 comments)
  3. 249 points, 42 submissions: Chrono1984
    1. Prefeitura anuncia aumento de passagem de ônibus em Curitiba (4,25, dia 06/02) (14 points, 11 comments)
    2. Rafael Greca é eleito prefeito de Curitiba (13 points, 0 comments)
    3. Linha Verde completa uma década só com metade da obra concluída (11 points, 3 comments)
    4. Dinheiro de fraude em escolas era repassado para a campanha de Beto Richa (10 points, 0 comments)
    5. Beto Richa é governador com menor aprovação do país (8 points, 0 comments)
    6. Demora no atendimento e água caindo pelo teto causam confusão na UPA da CIC (8 points, 0 comments)
    7. Governo do estado descumpriu 72,4% das ressalvas feitas pelo TC em contas de 2013 (8 points, 0 comments)
    8. Massacre de Curitiba é “esquecido” pela Retrospectiva 2015 da Globo (8 points, 1 comment)
    9. Paradas, estaduais do PR suspendem seus vestibulares (8 points, 0 comments)
    10. Veja 12 momentos em que Greca detonou seu “novo aliado” Beto Richa (8 points, 0 comments)
  4. 187 points, 31 submissions: pedrostakeholder
    1. Prefeito Rafael Greca inicia fiscalização e esvazia bares na rua onde mora (11 points, 1 comment)
    2. ATENÇÃO: Curitiba pode ter greve parcial de ônibus nesta segunda-feira (23) (10 points, 3 comments)
    3. Prefeito Rafael Greca é internado com embolia pulmonar (10 points, 2 comments)
    4. Previsão de -4º C. Fim de semana deve ter o dia mais frio do ano no Paraná (10 points, 1 comment)
    5. TC manda prefeitura suspender reajuste da tarifa de ônibus em Curitiba (10 points, 1 comment)
    6. Vereador que dizia "pagar para trabalhar" tentou, mas não se reelegeu em Curitiba (10 points, 0 comments)
    7. Show do Aerosmith em Curitiba é cancelado: como fazer o reembolso do ingresso (9 points, 0 comments)
    8. Prepare-se: motoristas e cobradores decidem estender greve em Curitiba (8 points, 3 comments)
    9. Conta de luz da Copel vai ter desconto de mais de 10% em abril (7 points, 0 comments)
    10. É hoje! “A inesquecível viagem de Natal” estreia no Palácio Avenida (7 points, 0 comments)
  5. 71 points, 8 submissions: frahm9
    1. O Greca brindou o ano novo com Cini (13 points, 3 comments)
    2. A RPC parece um grupo do whatsapp (12 points, 0 comments)
    3. (banhopensamento) O Parracho da RPC é a cara do Jeb Bush (11 points, 3 comments)
    4. A rádio Lumen vai acabar mês que vem (10 points, 1 comment)
    5. Indicação de psiquiatra e/ou psicólogo? (9 points, 1 comment)
    6. Curitiba tá longe de receber uma Olimpíadas, mas pelo menos teve Água Verde (7 points, 0 comments)
    7. Semana do Cinema Polonês no Shopping Agua Verde: cinco filmes com entrada gratuita (5 points, 0 comments)
    8. O dia que a Khaleesi foi pedir ajuda do Rafael Greca (4 points, 1 comment)
  6. 55 points, 8 submissions: koselleck
    1. TIL: Alguns ônibus de Curitiba têm mais de 17 anos mesmo com o limite máximo permitido em contrato de 10 anos. (13 points, 0 comments)
    2. Professor de História é ameaçado por dizer que Lula não deve ser assassinado (10 points, 4 comments)
    3. Greca diz que vai fazer "Lava Jato física" em Curitiba e que metrô é para toupeira (Entrevista para o UOL) (7 points, 2 comments)
    4. Delator diz que encontro para discutir caixa dois reuniu Beto Richa, presidente da Alep e diretor da Seed (6 points, 0 comments)
    5. Orquestra Sinfônica do Paraná abre temporada com novo maestro titular (6 points, 2 comments)
    6. O céu é o limite: Os movimentos do camaleônico ministro da Saúde, Ricardo Barros, para fazer de sua família a nova oligarquia do Paraná (5 points, 0 comments)
    7. Terceira edição do Festival de Ópera do Paraná com apresentações gratuitas (5 points, 0 comments)
    8. Visita à Lapa (3 points, 1 comment)
  7. 49 points, 7 submissions: rpcastilho
    1. Curitiba vista do bairro Alto da XV (15 points, 1 comment)
    2. Fábrica dos "Sonhos Alfa" do carro do sonho é atingida por incêndio (9 points, 1 comment)
    3. se você é gordo/gorda, como faz pra comprar roupas aqui em Curitiba? (7 points, 1 comment)
    4. Moinho Holandês em Castro/PR (6 points, 0 comments)
    5. Ladrões armados roubam loja dentro do ParkShopping Barigui (5 points, 0 comments)
    6. Homem morre ao tentar pegar pinhão em árvore (4 points, 1 comment)
    7. Família Imperial vem a Curitiba (3 points, 1 comment)
  8. 42 points, 6 submissions: mrcapgras
    1. Lumen FM anuncia encerramento das atividades após 12 anos (13 points, 2 comments)
    2. Alguém reconhece da onde é essa vista? (8 points, 3 comments)
    3. A rota cervejeira do, bom e velho, São Francisco (6 points, 2 comments)
    4. Uber confirma chegada a Curitiba (6 points, 2 comments)
    5. Projeto prevê abono na falta de servidor municipal em caso de morte de animal (5 points, 1 comment)
    6. Leprevost: “Vou disputar prefeitura nem que chova canivete” (4 points, 0 comments)
  9. 39 points, 7 submissions: luccwb
    1. Esquema de desvios milionários da UFPR era comandado por três famílias, diz PF (8 points, 1 comment)
    2. Gírias e lugares de Curitiba nos anos 1980 (8 points, 0 comments)
    3. 15 episódios marcantes da história do Paraná (7 points, 0 comments)
    4. Boqueirão: a fazenda que se transformou num dos maiores e o mais populoso bairro de Curitiba (5 points, 0 comments)
    5. Oil Man - O Homem óleo "marvels" (5 points, 3 comments)
    6. Palácio Avenida - Natal 2017 (4 points, 0 comments)
    7. Palácio Avenida Curitiba - ÚLTIMA APRESENTAÇÃO 2016 (2 points, 0 comments)
  10. 32 points, 6 submissions: luiznp
    1. Ligeiramente interessante: Esse gif na front page foi gravado no Palladium (9 points, 0 comments)
    2. Tiroteio na Avenida Marechal Deodoro deixa assaltante ferido (8 points, 1 comment)
    3. Piscina de bolinhas gigante no Shopping Estação atenderá adultos em horário especial (5 points, 1 comment)
    4. Tentaram me assaltar agora há pouco na XV. (5 points, 3 comments)
    5. Water Salute no aeroporto Afonso Pena, para o 1º voo da rota Guarulhos - Curitiba (4 points, 2 comments)
    6. Estimativa da PM: 15 mil nas ruas (1 point, 0 comments)
  11. 27 points, 6 submissions: tarigui
    1. Presidente da FCC, Marcos Cordiolli é detido durante confusão no Centro (6 points, 0 comments)
    2. Dia da Bandeira do Haiti é comemorado em Curitiba (5 points, 1 comment)
    3. Novos parques de Curitiba integram 'projeto verde' na região sul (5 points, 0 comments)
    4. Ratinho lidera disputa a prefeito; 4 opositores ‘embolam’ o 2.º lugar (5 points, 2 comments)
    5. Moeda social eletrônica pode começar a circular em Curitiba (3 points, 0 comments)
    6. Shows de jazz tomam conta do Paço da Liberdade (3 points, 0 comments)
  12. 26 points, 5 submissions: pizzaiolo_
    1. Ouvidoria Municipal de Curitiba recomenda o uso de Software Livre (8 points, 2 comments)
    2. Vaga Desenvolvedor Linux em Curitiba/PR (8 points, 0 comments)
    3. Curitiba lança edital para implantação de sistema de carro elétrico compartilhado (5 points, 0 comments)
    4. Leminski Falando Sobre Graffiti (3 points, 0 comments)
    5. Padre que fugiu da Síria recomeça a vida em Curitiba (2 points, 0 comments)
  13. 23 points, 4 submissions: crszoom
    1. Curitiba entra no terceiro dia com greve de ônibus; siga em tempo realGazeta do Povo (7 points, 4 comments)
    2. Guarda Municipal detém cinco por pichação (7 points, 0 comments)
    3. Novo estádio do Paraná estaciona na mesa do ministro do Planejamento (6 points, 0 comments)
    4. Faça chuva ou tenha Carnaval, professores seguem acampados na Alep (3 points, 0 comments)
  14. 19 points, 2 submissions: drlyons
    1. Máquina de venda automática de guarda-chuva chega a Curitiba (10 points, 0 comments)
    2. whatafuck vendendo hamburguer a 1 real (9 points, 3 comments)
  15. 18 points, 3 submissions: paloboq
    1. 46 bairros de Curitiba e Região Metropolitana ficarão sem água no fim de semana (9 points, 1 comment)
    2. Greca perde a batalha da comunicação para servidores em greve (6 points, 1 comment)
    3. Dono de mansão no Alphaville Curitiba vende tudo a partir de R$ 3 (3 points, 0 comments)
  16. 18 points, 1 submission: zikavirusfromhell
    1. Um destes é o novo prefeito de Curitiba. Consegue distinguir qual deles? (18 points, 0 comments)
  17. 17 points, 2 submissions: zwttrn
    1. Onde vocês gostam de comer aqui? (12 points, 10 comments)
    2. Liga De Basquete Interpraças (5 points, 0 comments)
  18. 15 points, 4 submissions: bags_groove
    1. A polícia covarde do Beto Richa contra os professores e manifestantes - 29/04/15 (6 points, 0 comments)
    2. Cena Paisagem - Lusco Fusco (parte 1) - Sessão ao vivo [Jazz-Rap Curitibano] (4 points, 0 comments)
    3. Novo álbum de Francisco Okabe - "Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!" (3 points, 0 comments)
    4. Cena Paisagem - Lusco Fusco (parte 2) - Sessão ao vivo [Jazz-Rap Curitibano] (2 points, 0 comments)
  19. 14 points, 4 submissions: muaddib4
    1. No Paraná, motociclista tem 20 vezes mais chances de morrer em acidentes (6 points, 1 comment)
    2. 9º Festival Aéreo do ACP anunciado! (4 points, 0 comments)
    3. Arma em Nó - Projeto Não Violência - Museu Paranaense - Curitiba - Paraná (3 points, 0 comments)
    4. Segurança pública é assunto para prefeito e não se reduz apenas à Guarda Municipal (1 point, 0 comments)
  20. 14 points, 1 submission: meunovonomedeusuario
    1. Esta senhora vende coisas feitas com anéis de lata de refrigerante na feirinha do Largo e estava vestida com uma "cota de malha" feita desse material (14 points, 1 comment)
  21. 13 points, 2 submissions: tinho666
    1. Jovem com a camisa do Paraná Clube é procurado pela polícia de Nova Jersey (9 points, 1 comment)
    2. Vereador tenta ludibriar eleitores e MP manda alterar o nome do Candidato (4 points, 4 comments)
  22. 13 points, 1 submission: leospricigo
    1. /gazetadopovo (13 points, 3 comments)
  23. 12 points, 1 submission: H_F_G
    1. Assalto no centro (12 points, 7 comments)
  24. 12 points, 1 submission: steingt
    1. Paraná TV starter pack (12 points, 1 comment)
  25. 11 points, 1 submission: Snowyguy
    1. Alunos de Ciências da Computação na UFPR, tenho uma pergunta: (11 points, 14 comments)
  26. 10 points, 8 submissions: GustavoScalzer
    1. Passagem de ônibus em Curitiba sobe e vai para R$ 4,25 (2 points, 0 comments)
    2. Prefeitura de Curitiba será multada por não baixar a passagem do ônibus (2 points, 1 comment)
    3. CURITIBA: Rafael Greca e Ney Leprevost vão para o 2º turno (1 point, 0 comments)
    4. Guardas municipais de Curitiba são detidos monitorando chácara de Rafael Greca (1 point, 0 comments)
    5. Locais de votação no Paraná mudam após ocupação de escolas; veja onde você vai votar (1 point, 0 comments)
    6. Não sabe onde votar? Veja aqui qual é seu local de votação (1 point, 0 comments)
    7. Porto de Paranaguá abre concurso com 28 vagas e salário de R$ 4,5 mil (1 point, 0 comments)
    8. VÍDEO: Ex-prefeito tenta se esconder no forro de casa e é preso pela polícia (1 point, 0 comments)
  27. 10 points, 1 submission: Kawakai
    1. Viajando para Curitiba durante 3 dias, onde ficar? (10 points, 4 comments)
  28. 9 points, 1 submission: Fergobirck
    1. Delivery de comida - Recomendações? (9 points, 3 comments)
  29. 9 points, 1 submission: Madooxlins
    1. Museum ucranian Curitiba-pr (9 points, 0 comments)
  30. 9 points, 1 submission: zedafuinha
    1. Centro: Problemas com tráficos de drogas e usuários de crack (9 points, 9 comments)
  31. 8 points, 3 submissions: gstv86
    1. Após “tratoraço”, manifestantes invadem a Assembleia [Gazeta do Povo] (3 points, 0 comments)
    2. Pesquisa do Procon aponta diferença superior a 70% em produto para a Páscoa (3 points, 1 comment)
    3. Telemarketing de todo o país pode ser bloqueado por clientes do Paraná (2 points, 0 comments)
  32. 8 points, 2 submissions: anselmocaramelo
    1. Assalto no tubo Coronel Dulcídio termina em morte (7 points, 0 comments)
    2. Sempre que ando de metrô em SP penso: Curitiba não está pronta... (1 point, 5 comments)
  33. 8 points, 1 submission: -Chimpzy-
    1. Pretendendo me mudar pra Curitiba e precisando de uma ajuda (8 points, 4 comments)
  34. 8 points, 1 submission: Fer22f
    1. Aviso encontrado sobre a Frente Nacionalista (8 points, 3 comments)
  35. 8 points, 1 submission: GiovaniGuizzo
    1. Redditors do /curitiba, postem suas fotos com o grande Oil Man. (8 points, 3 comments)
  36. 8 points, 1 submission: ProfessorPauloGuina
    1. I was researching the city of Curitiba for my Geography project, found its horrible flag, and redesigned it. : vexillology (8 points, 0 comments)
  37. 8 points, 1 submission: ebaroni83
    1. Adolescente morre esfaqueado dentro de escola ocupada em Curitiba (8 points, 0 comments)
  38. 8 points, 1 submission: hankdraperdasilva
    1. Está funcionando o sistema de compartilhamento de bike? (8 points, 1 comment)
  39. 7 points, 2 submissions: eplehans
    1. Bike-riding downtown Curitiba (4 points, 1 comment)
    2. Any good trails for trail running in or around the Curitiba area? (3 points, 4 comments)
  40. 7 points, 1 submission: anonimou_eu
    1. Violência em Curitiba (7 points, 6 comments)
  41. 7 points, 1 submission: paulora2405
    1. Dicas e fatos sobre Curitiba (7 points, 4 comments)
  42. 7 points, 1 submission: quagliato
    1. Maratona "De Volta Para o Futuro" no dia 21 de Outubro (7 points, 0 comments)

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  1. chiphead2332 (172 points, 85 comments)
  2. gordori (109 points, 46 comments)
  3. meunovonomedeusuario (35 points, 16 comments)
  4. luiznp (35 points, 15 comments)
  5. leonhgomes (33 points, 12 comments)
  6. Chrono1984 (33 points, 10 comments)
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  9. TheDemonHauntedWorld (22 points, 10 comments)
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  19. guedslaitt (10 points, 4 comments)
  20. GilbertoDoPiento (9 points, 6 comments)
  21. Labaporu (9 points, 5 comments)
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  38. eojnai (6 points, 1 comment)
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  1. Um destes é o novo prefeito de Curitiba. Consegue distinguir qual deles? by zikavirusfromhell (18 points, 0 comments)
  2. Curitiba vista do bairro Alto da XV by rpcastilho (15 points, 1 comment)
  3. De modelo a defasado: o declínio do sistema de ônibus de Curitiba by chiphead2332 (15 points, 1 comment)
  4. Google Transit agora mostra os horários dos ônibus em tempo real em Curitiba by gordori (15 points, 0 comments)
  5. Prefeitura anuncia aumento de passagem de ônibus em Curitiba (4,25, dia 06/02) by Chrono1984 (14 points, 11 comments)
  6. Esta senhora vende coisas feitas com anéis de lata de refrigerante na feirinha do Largo e estava vestida com uma "cota de malha" feita desse material by meunovonomedeusuario (14 points, 1 comment)
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  8. O Greca brindou o ano novo com Cini by frahm9 (13 points, 3 comments)
  9. Lumen FM anuncia encerramento das atividades após 12 anos by mrcapgras (13 points, 2 comments)
  10. Número de atropelamentos em Curitiba cai 36,5% em dois anos by gordori (13 points, 0 comments)

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  1. 10 points: Chrono1984's comment in Rafael Greca estuda limitar grafite
  2. 8 points: Chrono1984's comment in Greca diz que vai fazer "Lava Jato física" em Curitiba e que metrô é para toupeira (Entrevista para o UOL)
  3. 8 points: punkcosmonaut's comment in Prefeitura anuncia aumento de passagem de ônibus em Curitiba (4,25, dia 06/02)
  4. 7 points: gordori's comment in Greca faz balanço dos 100 dias de gestão e diz que não quer ser quem 'agrada sindicatos e maltrata o funcionalismo'
  5. 6 points: Jvrc's comment in Manifestantes ameaçam atear fogo na sede do PT em Curitiba
  6. 6 points: RafaAff's comment in Tem um Delivery novo de cerveja gelada em Curitiba... pedi hoje e fiquei surpreso que chegou em 30 minutos! E o preço parece ser bem mais em conta que o Alo Esquenta
  7. 6 points: chiphead2332's comment in Ratinho lidera disputa a prefeito; 4 opositores ‘embolam’ o 2.º lugar
  8. 6 points: chiphead2332's comment in Por que Curitiba ainda não tem um bilhete único?
  9. 6 points: eojnai's comment in Prefeitura anuncia aumento de passagem de ônibus em Curitiba (4,25, dia 06/02)
  10. 6 points: gordori's comment in Histórico da tarifa de ônibus em Curitiba
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2017.11.13 21:35 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 2

Não esperava que a Parte 2 ia rolar tão cedo, mas tem atualizações aí. Para quem quiser, dessa vez tem um TL/DR no fim.
A parte 1 é essa aqui: https://www.reddit.com/brasil/comments/7c6tsx/today_i_fucked_up_a_estranha_sensa%C3%A7%C3%A3o_de/
PS.: escrevi isso aqui correndo assim que cheguei em casa, então provavelmente pode estar confuso ou com uns errinhos. Nem de perto foi tão trabalhado quanto o conto que eu fiz da primeira parte. Me desculpem de antemão.
Tive uns dos finais de semana mais atípicos dos últimos anos. Acho que nunca viajei tanto em memórias e dúvidas. Será que realmente rolava alguma coisa? Aliás, será que foi ela mesmo que eu vi na rua? Ela aprecia tão mais velha que talvez sequer fosse a mesma pessoa. E cá estava eu viajando porque uma pessoa aleatória me morou na rua e eu a confundi com alguém que não vejo há doze anos.
Ainda assim, embarquei na onda da nostalgia. Escutei os CDs do Linkin Park, System of a Down, Evanescence e Radiohead que a gente ouvia na época, baixei alguns jogos que eu jogava na época (Xenosaga, Burnout e alguns outros) e coloquei no PS2 que eu achei por um preço ridículo numa feira de rua. Assisti Anjos da Noite e Oldboy, dois que eu lembro de ver naqueles tempos. Domingo eu estiquei a ida à feira e fui até o curso de inglês que frequentávamos juntos, refiz o caminho de lá até casa onde os pais dela moravam. Antes que perguntem, não, eles não moram mais lá. Sei disso porque a casa apareceu à venda há muito tempo.
Foi um fim de semana agridoce. A esposa me achou meio para baixo, eu revirei horas no travesseiro antes de conseguir dormir. Segunda de manhã, indo para o trabalho, eu já estava mais sossegado. Cheguei à conclusão que havia uma enorme possibilidade daquilo tudo ser um baita mal entendido, que aquela mulher sequer era ela. E que eu provavelmente jamais a encontraria na minha vida. E me preocupar com algo tão inatingível era sem propósito algum. O fato de eu ter tentado encontrá-la no Facebook por horas sem sucesso só reforçava isso.
Eu conhecia apenas um dos seus sobrenomes, mas ela não aparecia de forma alguma. Tentei com sobrenome aleatórios algumas boas 20 vezes, devo ter aberto mais de 200 perfis. Nada. Nem sinal.
Mas eu queria falar com alguém sobre aquela história, então decidi me abrir com um amigo do trabalho que é bem gente fina e em quem confio. Passei o almoço contando a história e depois ficamos uns 40 minutos discutindo o assunto. A conclusão dele foi a mesma da galera daqui: "Caralho, como você não falou com ela? Dava um oi, chamava pra conversar".
Falei para ele também que estava começando a duvidar de mim mesmo. Ela estava com uma aparência tão mais velha e nós temos a mesma idade, eu dizia. "Cara, classe média baixa, dois filhos com 20 e poucos anos, voce nem sabe se ela é casada ainda ou não. Às vezes virou mãe solteira e está numa luta fodida".
Quando voltamos para o trabalho, fiz mais uma rodada de pesquisa no Facebook. Talvez fosse uma memória embasada do passado, talvez fosse só uma coincidência, mas eu cismei com o sobrenome Ferreira. Não era o sobrenome que eu sabia com certeza, só um chute que ficava martelando a minha cabeça. Parte de mim dizia que era confusão. Eu tinha uma amiga com o mesmo nome dela é Ferreira no sobrenome, provavelmente estava só confundido as coisas.
Nesse processo, aprendi que o Facebook te dá resultado diferentes para a mesma pesquisa quando você a faz de tempos em tempos. E logo depois desse desabafo, como se falar em voz alta fizesse ela se materializar, ela apareceu. O mesmo rosto de 12 anos atrás, o mesmo sorriso, os mesmos olhos. Minha mão tremeu no computador, levantei para pegar um café é uma água. Respirei fundo, e voltei para ver o resultado.
No começo, senti um misto de alívio e decepção. Ela parecia exatamente como 12 anos atrás, então não era possível que aquela mulher que encontrei na semana passada fosse ela. Abri o perfil e comecei a ver as fotos, os filhos, a pouca vida dela que aquela janela mostrava. Quando abri uma foto mais recente da linha do tempo, a verdade voltou com um soco no estômago: eu realmente a encontrara. A foto de perfil era antiga, mas as mais recentes não deixavam espaço para dúvidas. Eu tinha esbarrado com ela.
Chamei meu colega de trabalho para tomar um café e mostrei as fotos no celular. "Se você não me dissesse que ela tem a mesma idade que a gente, eu nunca ia acreditar em você. Ela parece uns dez anos mais velha, mas era a menina bonita antigamente". E fez a pergunta que eu já estava fazendo mentalmente. "Porra, uma porrada de foto com a família e os filhos, mas e o pai?".
A resposta eu encontrei na lista de amigos dela. Percebi que tinha amigos em comum com outra pessoa da família que tinha o mesmo sobrenome, um amigo farmacêutico que começara a trabalhar em uma farmácia perto do ligar onde trabalho. Era perfeito. Liguei para ele dizendo que queria trocar uma ideia, mas ele tinha acabado de ser transferido para outra unidade da rede para cobrir uma unidade. Com um fogo no cu absurdo, larguei o foda-se no trabalho, peguei um Uber e fui para lá.
No caminho, eu já não sabia bem o que estava fazendo. Eu ficava vendo e revendo aquelas fotos no celular no caminho, lembrando mais e mais dela. É engraçado lembrar de uma pessoa com quem você teve um relacionamento tão profundo e tão curto há tanto tempo. Às vezes eu não sabia bem se eu estava lembrando de alguma coisa ou se eu estava fantasiando, se estava extrapolando algumas memórias.
Fuçando o Facebook dela - curtidas, comentários, gostos, fotos - eu via que ela era exatamente o que eu imaginava. Uma pessoa extremamente simples, de família de classe média baixa, com um estilo de vida simples, bem família e discreta. Os filhos pareciam ser o primeiro lugar em tudo.
Encontrei meu amigo por volta das 16h e subi para a sobreloja da farmácia. Ele vivia falando que o trabalho dele era um marasmo absurdo e tudo que ele fazia quase o dia inteiro era ficar no segundo andar jogando 3DS e como ele estava prestes a comprar um Switch só por conta disso. "Queria ter esses problemas no meu trabalho", brinquei.
Esse meu amigo não é super próximo, mas nos conhecemos há uns 15 anos e crescemos na mesma vizinhança. Apesar de não ser o tipo de pessoa para quem eu desabafo, é alguém em quem eu confio demais. Contei para ele a história toda. "Porra, mas achei que você e XXXX fossem felizes. Vocês têm uma vida tão tranquila". A gente é, eu expliquei. Na verdade eu sou feliz para caralho com a minha vida conjugal, "mas essa ogiva nuclear me fodeu completamente. Pelo menos nesse fim de semana".
É aqui que a história dá uma guinada um pouco para pior. Meu amigo farmacêutico é o tipo de cara que está a cada semana com uma mulher diferente. Os namoros nunca duravam muito. Ele é pintoso e gente fina, então é o tipo de cara para quem chove mulher. E uma dessas mulheres era prima dela, uma mulher com quem ele saiu até por bastante tempo (quase seis meses) dentro dos parâmetros dele.
Ele não lembrava os detalhes, mas ela ficou "falada" na família por conta da crise no casamento. Casou nova, passou para um concurso público que pagava bem mal, mas pelo menos era um emprego garantido, e teve um filho logo no primeiro ano do casamento. No começo, parecia conto de fadas: os dois colegas de escola casam, passam em concursos públicos diferentes (naquele boom de concursos que rolou entre 2005~2010) e têm dois filhos bem rápido. Aos 22 anos, eles já tinham a vida "feita" para alguns padrões.
Mas isso não durou muito. Meu amigo farmacêutico não sabia dos detalhes, obviamente, mas o cara se arrependeu de ter casado tão cedo. Ela largou a faculdade para se dedicar aos filhos. Ainda assim, faltava tempo para cuidar dos dois. Ela largou o emprego público também para se dedicar às crianças e virou dona de casa em tempo integral.
"Ela passou em um concurso público de primeira, eles achavam que ia ser fácil entrar em órgão público mais tarde, quando as crianças estivessem maiores". Burrice do caralho, pensei. A procura por concurso público cresceu vertiginosamente e as vagas minguaram. Agora até os concursos mais bundas tinham altíssima concorrência.
Aparentemente, boa parte da família foi contra. A gente está falando de uma família de classe média baixa de um subúrbio bem quebrado. Para eles, aquela vaga no emprego público era a garantia de que ela teria estabilidade para a vida toda. Ela insistia que o marido tinha um emprego melhor e que eles economizariam tendo ela como dona de casa.
Passaram algum tempo juntos dessa forma, mas o cara ficou de saco cheio. Meu amigo não sabe se chegou a acontecer traição ou não, mas ele enjoou daquela vida. Achava que tinha casado muito cedo, que não tinha aproveitado a vida. Que os dois se precipitaram, que ele não tinha vivido. Que ele não queria ficar preso naquela vida desde tão cedo.
E meteu o pé.
Na família, segundo meu amigo, rolava um misto de pena e revolta com a menina pelas decisões dela. No final das contas, ela voltou para a casa dos pais, entrou em depressão e passou a viver em função dos filhos. Ela não conseguiu terminar a faculdade e jamais a reatou por causa deles também.
Caralho.
No caminho para casa, eu fiquei pensando o quanto aquilo era triste e curioso. Triste por razões óbvias. Curioso porque ela viveu o meu sonho. Sei que pode parecer besteira, mas meu sonho sempre foi casar e ter filhos cedo. Eu nunca fui um cara muito da pegação - até porque, como já disse aí, sempre tive a auto-estima muito baixa - e sempre quis ter uma família, meu sonho sempre foi ter filhos. E eu queria curtir os meus filhos o máximo que pudesse. Imagina você com 32 e um filho de 10 anos? Quanta coisa gostosa você não ia poder compartilhar, viver junto? Acho que o passar do tempo torna o abismo entre as gerações cada vez maior, o que dificulta essa aproximação entre pais e filhos. Em tempo, é só uma opinião pessoal. Não tenho filho, então não tenho muita voz nisso e posso estar redondamente enganado.
Ela viveu o meu sonho, mas tudo deu radicalmente errado. Hoje eu entendo como deve ser problemático casar cedo. Eu casei com 26, o que muita gente já chamaria de cedo hoje em dia. Mas caralho, casar aos 20? Eu precisaria ter certeza absoluta de que estava com uma ótima pessoa ao meu lado, mas é difícil a gente chegar a essa conclusão tão cedo. A maioria das garotas com quem saí entre meus 18~22 anos jamais estariam na minha lista de possíveis esposas hoje em dia. Algumas são minhas amigas até hoje, mas a grande maioria ganhou pensamentos e posições que vão contra quase tudo que eu acredito.
Tentei imaginar a vida dela agora. 32 anos, dois filhos, divorciada, sem faculdade e depois de largar um emprego público, morando na casa dos pais. Os posts e fotos dela no Facebook tem um quê de agridoce. Parece haver um amor incondicional pelos filhos e pelo desenvolvimento deles. Mas ao mesmo tempo parece haver uma triste por não ter aproveitado a vida. Encontrei até um post antigo em que ela nunca tinha andado de avião e sonhava em conhecer a Europa, postava fotos dos lugares que gostaria de viajar, lia livros sobre eles.
Eu sei que isso pode soar paternalista, mas tudo isso me pesava muito o coração. Me dava vontade de ir lá, de mudar a vida dela, de levá-la para Paris, Roma, Praga, Porto, as poucas cidades que visitei nas vezes em que fui para lá. Me dá vontade de correr para encontrá-la, abraçar, ficar com ela, conversar, qualquer merda.
Mas aí eu caio na realidade. Cá estou eu, casado, relativamente estabelecido, vivendo super de boa até sexta-feira. E se eu puxar uma conversa no Facebook para encontrá-la, chamar para um café pelos velhos tempos e falar que fiquei sem jeito de puxar papo com ela quando a vi na praça sexta-feira? O que eu vou dizer?
Depois de explicar porque saí do curso daquele jeito, 12 anos atrás, vou falar que era completamente apaixonado por era e que estava me sentindo feito um adolescente agora? Será que não vou adicionar mais um arrependimento para a lista dela, partindo do princípio que ela talvez também sentisse algo por mim à época? E se não sentia, de que isso serviria?
E não sei as consequências que vê-la pessoalmente podem ter. Sim, ela parece bem mais velha e o tempo não foi bom com ela. Mas eu ainda a acho linda e sinto um aperto no coração idiota toda vez que olho para as fotos dela no Facebook. Eu tenho medo de aparecer, me mostrar como algum exemplo da felicidade e bom senso (sim, já escutei de amigos meus que tenho a vida "perfeita demais" por conta do meu bom senso em geral, apesar de eu achar que tenho uma vida ok, só pautada pelo "pensar antes de fazer") que apenas acentue as más escolhas dela. Eu tenho medo de não aguentar e fazer merda, de estragar um casamento que vai bem para caralho.
Ela está aqui, a um clique de distância, e não sei o que fazer. Nem se devo fazer alguma coisa.
TL/DR: achei a menina no Facebook depois de chutar dezenas de sobrenomes diferentes. Ela está divorciada, largou um emprego público e parece estar numa fossa fodida. Eu não sei se devo fazer alguma coisa ou deixar esse feeling morrer e continuar vivendo deixando esse fuck up de ter sumido da vida da menina para trás.
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2017.10.03 23:36 p3tr00v O complexo de vira lata

Eu estou em viagem; fiz reservas de alguns hotéis pelo Booking e reserva de carro Quando cheguei pra pegar o carro, não tinha o carro que eu havia alugado, me deram um equivalente (que na verdade é um pouco inferior em questão de espaço interno), depois de uns dias vi que o pneu estava praticamente careca, sem manual no porta luvas, sem tapetes, ok...
Estou passando pela segunda cidade, quando cheguei no hotel, mano... hotel não tem NADA HAVER com as fotos!! Nas fotos os quartos são bonitos, pessoalmente, o quarto fedia à esgoto com cigarro, no banheiro havia uma banheira com cerca de 1 metro de largura, havia poeira para todo lado, só um dos dois elevadores funcionavam, o suporte da TV era um vidro que estava quebrado e remendaram os cantos com fita (por norma internacional nao pode haver nada no quarto de hotel com que o hóspede possa se ferir). Só pode ter sido sarcasmo quando o cara disse "bem vindo", fui em outro hotel ver se achava um quarto disponível.
Aqui as pessoas fumam na sua cara! TODO MUNDO FUMA! Essas pessoas nunca ouviram falar em saúde? Desde adolescentes até os mais velhos! Pra todo lado tem tabacaria, farmácia vai ter que andar pra achar.
Em conversa com colega que mora aqui, ele disse que há muita propina pra policiais; muita pedofilia nas igrejas; pessoal extremamente bairrista. Nós fomos no "cartório" (aqui tem outro nome), e ele disse: "se a gente cair naquela mulher, ela é muito chata, vai pedir uma documentação nada haver. Se pararmos com aquela, é tranquila, faz o rito normal. Agora, se pararmos naquela, ahhh de boa, a filha dela estuda na mesma escola que a minha, a gente ri nas reuniões de pais, é de boa! Basta sua documentação estar em conforme e todas as datas e nomes estarem corretos" -- o que era o caso.
Tudo é pago, TUDO, até pra ir ao banheiro eles arrancam moeda do seu bolso! Carros param em cima da calçada, foda-se a lei!
Voce pode estar pensando "de que cidade do Brasil está falando?" , pois é, to falando da Itália! Um país "europeu", união européia... mas que na verdade, é um Brasil gelado que deu a sorte de estar inteiramente acima da linha do equador. Dá pra contar nos dedos de uma única mão quais países são realmente "qualidade européia": Alemanha, Inglaterra, Suíça, e mais um ou dois.
O Brasil está na merda, mas não somos os únicos, quando voce vai pra outros países vê que nem tudo são flores, e dependendo pra onde voce vai, os positivos e negativos saem elas por elas no fim das contas, como é o caso da Itália. Não caiam na besteira do "complexo de vira-lata" em achar que qualquer pais do norte é melhor que o Brasil. Temos muitas coisas pra corrigir, assim como outros países também tem. Estamos mil anos luz afrente em matéria de saúde, por exemplo.
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2017.09.17 05:55 pedrothegrey O detetive.

Entendiado na sala de espera. Fazem quarenta minutos que estou sentado neste sofazinho marrom, esperando que me chamem. Folheio as revistas e ouço o barulho da rua, o som das buzinas irritadas e o choro das crianças, o grito das mães, do dinheiro que entra no caixa, do assaltante que foge. Os sons que por mais de 10 anos escuto todo santo dia.
— Detetive N...! — Ouço a secretária gritar.
— Aqui. — Respondo, com rispidez.
— A doutora H... pediu para que o senhor entre, a consulta vai durar apenas vinte minutos. Não se preocupe.
Faço que sim com a cabeça e entro no consultório. Era diferente do que eu imaginava, na sua mesa tinham algumas pilhas de papéis, fichas dos pacientes, algumas revistas de psicologia em francês e inglês e uma cadeira na frente da mesa. Ela era uma mulher alta e bonita, motivo pelo qual tantos policiais não se importavam em ter que fazer as seções obrigatórias. Eu me sento na cadeira, pego o maço de cigarros amassado que guardo no bolso e puxo um cigarro.
— Você não pode fumar aqui. — Ela me diz, e com muito desgosto guardo o cigarro. — Estou vendo na sua ficha, você veio aqui porquê... deixa eu ver... Ah! Agrediu um padre. O senhor confirma? Ótimo, vamos prosseguir. Esta é a primeira das sete visitas obrigatórias, vou pedir para que o senhor assine aqui. E aqui. Obrigada. Agora sente-se. O senhor poderia me contar um pouco mais sobre sua experiência?
— Sobre o padre? Vamos, doutora, está tudo na ficha. Tudo bem, tudo bem, eu falo. Tínhamos uma investigação de violência sexual de um menor na paróquia da rua 52. Recebemos alguns telefonemas anônimos detalhando certos aspectos da aliciação dos garotos, e o modus operandi deste padre em específico. Minha equipe seguiu de perto o caso, e tínhamos fortes evidências que sugeriam que o padre guardava um diário, onde ele fazia uma espécie de confessionário com ele mesmo. Pedimos um mandato ao Juiz para investigar sua casa e encontrá-lo, mas vi que ele ia rejeitar o pedido quando retirou debaixo do terno um crucifixo e o mostrou para mim.
Eu olhava pela janela que ficava ao lado da cadeira onde me sentava, e contemplava, como um espectador em imersão, as entranhas da cidade. Havia muito que eu não enxergava as vísceras dela, mas daquele consultório eu tinha uma visão privilegiada da podridão.
— Continue, por favor. — Ela disse, rabiscando seu bloco de notas.
— No fim das contas, o juiz acabou contando ao padre sobre a investigação. As provas, nesse momento, devem estar enterradas debaixo dos sete círculos do inferno. — Eu disse, cansado.
— E você foi atrás dele? Quer dizer, do padre. — Ela perguntou.
— Olha, doutora, acho que repetir tudo que está registrado na minha ficha não vai me ajudar em nada. O que você quer que eu diga? Olhe pela janela e veja. Pouse seu olhar em um ponto fixo e observe os arredores, note como o ponto vai mudar. Perceba como as pessoas vem e vão em perfeita harmonia com o ambiente, com uma sincronia ímpar entre a indiferença social e cósmica. Socar a cara daquele padre não me fez bem, tampouco ajudou as crianças ou a investigação. Fiz o que fiz pelo mais mesquinho dos desejos. Sou isso, tempestade e ímpeto. Um coração à deriva, uma garrafa de consciência largada num oceano revolto de emoções profusas e indistinguíveis. Tentar ver valor ou significado nas minhas ações vai se mostrar, como a senhora verá nas próximas seções, a mais inútil das tarefas.
Um alarme que vinha do relógio de pulso da doutora disparou.
— N..., acredito que estamos progredindo. Nossa seção está encerrada, mas o aguardo para a próxima. Você se importa de chamar o próximo? Feche a porta. Adeus. Eu saio do consultório. São 18:30h e já anoiteceu. Uma noite sem estrelas, sem o máximo atestado da indiferença do mundo. Isso me força a olhar para frente, para a rua e para as pessoas. Elas tem caras de sono, mas a doença destas é o tédio, que em um bocejo mortal, engolirá a todos nós. Da onde eu ouvi isso? Deve ter sido algum francês, talvez Baudelaire ou Flaubert, não tenho certeza. Mas soa francês, não é?
Caminho para o estacionamento, entro no carro e dou a ignição no motor. A 120 quilômetros por hora numa rodovia mal iluminada, enxergo somente a sinalização reflexiva do chão. Algum drogado sai correndo de um canto qualquer, e num instante me desvio dele, derrapando os pneus e quase capotando o carro. Com o coração acelerado, sinto a adrenalina residual no meu corpo, que agora não tem mais uso além de deixar tenso. Talvez seja esse um problema mais geral do que eu imaginei, adrenalina residual.
Meus punhos ainda doem. As crianças ainda choram. E o padre ainda faz sua confissão e se exime dos pecados. Numa espécie de autoflagelação profana, nós seguimos unidos em um mesmo destino, em uma mesma aventura pagã e sádica. Eternas peças em um tabuleiro sem divisões, de um jogo sem regras. Sem um começo ou um final, seguimos no mesmo ritmo melancólico até o final das eras. Todos nós. Eu, as crianças e o padre.
Perco minha linha de raciocínio; o bip de superaquecimento do carro havia sido acionado há alguns minutos, e somente agora, quando o carro começa a esfumaçar, reparo. Ligo para a seguradora, em vinte minutos o reboque vai chegar. Me sento no banco novamente, olhando os carros que vão e vem, em borrões retangulares à luz de postes amarelados. A maioria tem seu destino para fora do centro da cidade, correndo o mais rápido que podem em direção aos subúrbios, tentando fugir de mais um dia.
O reboque chega e eu ganho uma carona. Preencho a papelada da oficina; me dão um prazo de duas semanas para terminar de consertar o carro. Chego em casa, tão disperso que nem me lembro como. Não importa. Tiro o uniforme, o revólver do coldre. Banho. Me sento a frente da escrivaninha, tiro a munição do tambor da arma, desencaixo o tambor e a empunhadura. Limpo o revolver com delicadeza, tirando poeira e pólvora seca de cada ranhura. Respeito a arma. Melhor, eu a admiro. Ela é um símbolo, e Deus sabe que temos poucos bons símbolos hoje em dia. É muda e sincera, a face da morte, representante máxima da impotência e da ignorância humana. Eu entendo o motivo pelo qual, durante o treinamento, fomos disciplinados a amá-la como nossa mulher. Ah! Eu entendo. Eu durmo em rápida e profunda dormência...
... Estou atrasado. Visto meu uniforme e vou para o ponto de ônibus. Faz um calor opressor, o vento corre pelo meu rosto, secando-o em pinceladas secas e dolorosas. Insipiro e expiro; o som é alto e seco, um barulho de papel amassando, de cigarro queimando. O ônibus chega e libera mais uma lufada de ar quente, que sai do escapamento, em mim. Entro e me sento. O calor faz o rosto das pessoas parecer miserável às sete da manhã, e o meu não é diferente. Olho pela janela e o sol mutila a todos como o olhar de uma mulher, mas não me engano, pois nem todos sentem isto, assim como nem todos estão conscientes dos olhares das mulheres, da maré alta durante a lua cheia ou das flores do mal, que morrem em agonia, sem o amor de um poeta. De novo essa paixão francesa no meu coração, recorrente, irreal.
Alguém faz sinal. O ônibus para e entram uma mulher e duas crianças. Uma delas com cinco ou seis anos, a outra, apenas um bebê no colo de uma mulher. Uma mulher negra, magra, com um cabelo desgrenhado, porém bem cuidado. Alta e forte, ela carrega a criança como se nada pesasse, se move com graça com toda a bagagem feminina, isto é, bolsas, fraldas, mamadeiras, roupas reserva etc. Vestia um vestido colorido, predominantemente verde, e no pescoço, um crucifixo de madeira. Quando tirei os olhos dela e olhei o menino, foi que reparei quem ele era. Nunca vou esquecer do olhar que me deu, nem da forma como, logo em seguida, desviou o olhar envergonhado. O medo, o desespero, a dor nos olhos de uma criança; de todos os grandes filósofos, só o maior deles entendeu o desespero de uma criança, mas mesmo assim, Ivan Karamazov só renunciou a Deus. Que haverei eu de fazer? Eu, que já não tenho a quem fazer rebelião, pois que nunca tive religião. Não amo a vida, o viver, e portanto não me basta o destino de Werther, de Hemingway. O que é o homem sem rebelião, ou ainda, sem a quem se rebelar? Nada mais que um inseto. E esse pensamento sempre foi tão natural, tão profundo no meu ser, que me espanta só agora ter me tornado consciente dele.
Em pouco tempo, cinco horas se passaram. Estou almoçando sozinho, em um restaurante barato, vendo o noticiário sensacionalista do horário dos insetos. O trabalho não me deixa em paz nem quando como. Saio de lá de estômago vazio, pago minha conta e me ponho a andar. Em alguns instantes já será hora da consulta.
— Assine aqui... e aqui. — Disse a doutora. — Sente-se, por favor, fique à vontade. — Nos sentamos e nos encaramos por alguns segundos.
— Posso quebrar o gelo?
— Com certeza.
— Você quer tomar um café comigo depois da sessão?
— O quê?
— Vai ser interessante.
— Isso é inapropriado, senhor N...!
— Ah! Tudo bem. Bom... é...
— O senhor pode começar me falando como se sentiu depois da sessão anterior.
— Eu comecei a fumar mais.
— Tem vontade de parar?
— Nenhuma.
— O senhor deveria ten...
— Você pode me receitar algum remédio para dormir? — A interrompi.
— O senhor está tendo problemas para dormir?
— Não. Durmo o sono das crianças. Só que são as dessa cidade.
— Ri, e percebi que ela se assustou com o comentário.
— Não existe razão para que eu receite esse tipo de remédio então, não é?
— E o que você pode me receitar?
— Qual o seu problema?
— Achei que você pudesse me dizer.
— Sou a mediadora, senhor N...
— Ah! Entendo. Posso ir embora?
— A corporação o obriga a fazer as seções.
— Eles sabem ser persuasivos. Eu não tenho nada para falar hoje. E como eu disse, tudo que faço é ímpeto. A senhora não vai achar nenhum material de estudo nos meus problemas.
— Meu objetivo não é esse. Quero somente te ajudar.
— A senhora pode reverter uma decisão judicial?
— Não, não posso.
— Então a senhora não pode me ajudar.
Passados cinco minutos de silencio, eu olhava para o teto e para a janela do consultório. Da rua, via-se um bar. Nele, rapazes sem camisa, com bermuda e boné. Carros de som estacionados na rua reverberam música em volumes altíssimos. Os gritos e os risos raramente eram distinguidos do som alto, mas se faziam ouvir no meio do barulho. Do outro lado da rua, saído de algum beco inominável, um homem branco, pálido, magro, seco e encurvado, atravessa a rua. Sua camisa, rasgada pela metade, expunha sua costela que se sobressaía da pele. E o cheiro e a dor da miséria eram transmitidos no olhar. Seus braços estavam cobertos de feridas, o sangue denso, coagulado, estava preso na pele, acobertando parte das manchas de infecção que seu corpo colecionava. Ele tremia as mãos e na direita exibia um caco de vidro. Ele se aproximou do bar convulsivamente, tremendo todas as partes do corpo. Um homem sem controle. Aquilo já não era mais um homem, não era... Ah! Os insetos! Sempre me perseguem. Absorto em meu pensamento narcisista, só me dou conta do problema depois que o som dos carros é interrompido. Os rapazes expulsam o ser à socos e chutes. Como ele não rachou ou quebrou é impressionante, devo dizer. Olho para a doutora e aponto, com o olhar, para a rua.
— Só assine aqui antes de ir. — Ela disse.
Saio depressa do consultório, chego na calçada e avanço para o bar. Perguntas rotineiras. Sigo o caminho que disseram que o inseto havia percorrido, e faço eu o mesmo caminho. Procurando; Ouroboros. Perco rapidamente a corrida, os labirintos do centro se estendem além da compreensão humana, e paro no meio da rua, ofegante. O silêncio me oprime. Olho no celular; 18:13. A noite começa a chegar, aumentando o sibilo do vento e diminuindo a temperatura. Eu só tenho que seguir na mesma direção que ele pode ter ido, me embrenhar mais profundamente nas ruas apagadas, passar por entre as praças, com seus bancos e brinquedos quebrados. Eu tenho que continuar a seguí-lo. Eu quero continuar. Uma raiva irracional começa a brotar de mim, e a abraço como ela vem.
Subitamente, um grito. Agudo, desesperado, forte e vigoroso. Deus! Eu demorei demais. Sigo o grito, "SAI DAQUI! MEU DEUS, AJUDA!", viro uma, duas, três ruas e o grito cessa. Debaixo da luz do poste, embaixo de um céu sem estrelas, jaz um corpo que sangra. Eu saco o revólver e sigo com cautela, olho em todas as direções e me aproximo do corpo. Coloco meus dedos indicador e médio no seu pescoço; sem pulso. Viro o corpo e a luz amarelada e inconstante do poste revela uma mulher negra, bonita. Com um vestido verde manchado de sangue, rasgado no peito e na barriga. O sangue escorre delicadamente do seu corpo, criando um padrão singular no chão, onde uma pequena poça se forma, e em um ou dois segundos, o sangue caminha devagar para o esgoto. O crucifixo que ela usava mais cedo havia sumido. A melancolia não me atinge, a adrenalina permanece comigo, olho atento em todas as direções e... Ela não carregava um bebê mais cedo?
Aperto a empunhadura do revolver com força, estendo meus braços e tento mirar para frente. Minhas mãos tremem; um homem sem controle. Não posso me desesperar agora, não, não agora! Ouço um barulho pouco mais alto que meus pensamentos, uma lata de alumínio cai no chão. Achei. Sigo o som devagar, com passos determinados. Uma esquina; me viro rapidamente, engatilhando o revolver. Da sombra sai o inseto. Trêmulo e vacilante. Cadê o bebê? Cadê o bebê? Olho para os lados mas é só escuridão.
— Você pegou o bebê!? — Gritei. — Responde, caralho!
O inseto grunhiu baixinho, como se coçasse a garganta. As mãos trêmulas sobem e sobem, até chegarem na sua boca. Ele a cobre com uma das mão, e a outra o acaricia, como se tivesse vida própria, independente. Ele ri, uma risada abjeta e irreal, que não exprimia felicidade, nem dor, nem qualquer sentimento humano. Era um som, que me convém chamar de riso, pela semelhança auditiva. Em um borrão, num movimento cego, aperto o gatilho. O martelo cai e cria a faísca... Silêncio. Depois de tanto limpar o revolver ele falha agora, é como se a lua afetasse as armas como ela afeta as mulheres. Segurei o revolver pelo cano e tambor, com a outra mão segurei o cabelo da criatura. O barulho seco da madeira batendo no crânio dele ecoava no beco escuro. A empunhadura estava manchada de sangue, e não sei diferenciar meu sangue do dele na minha mão.
— O que 'cês tão' fazendo aí, porra? — Gritou uma voz, vinda da janela do apartamento do lado do beco.
Isso! A luz do apartamento. Eu olho para frente, e do lado de uma montanha de sacos de lixo, encontro o bebê, e o pedaço de vidro que o inseto carregava mais cedo estava fincado no seu pequeno pescoço. A luz se vai, o homem vê minha arma e o corpo no chão e se assusta. Se esconde na sua casa. Ele vai ligar para polícia, nem preciso me incomodar. Pego meu celular, mas a tela trava com o sangue e o suor, desisto. Me sento na calçada junto da mulher, embaixo da luz do poste. A poça de sangue chegou no bueiro, e meu coração ainda corre acelerado; adrenalina residual. Depois disso ainda tenho que pegar um ônibus para casa, será que eu vou encontrar o menino? Não, claro que não, ele vai para a delegacia... Espero que eu não tenha que dar a notícia para o garoto.
O barulho das sirenes fica mais e mais alto. Os carros estacionam.
— Senhor N..., você 'tá' bem? 'Tá' machucado? — Me perguntou um dos cabos.
— Não. Só não quero que o D... me coloque pra falar com o garoto.
— Que garoto?
— O garoto, porra. O filho dela. — Apontei para o corpo da mulher.
— Vou pedir 'pro' S... te levar, ok? Deixa que a gente cuida do resto.
Fui colocado na viatura e levado para a delegacia. Da janela, eu via os borrões dos carros, indo e vindo. Na minha mente falavam uma multidão, uma pluralidade de vozes, gritos e sons ininteligíveis. Uma pena, não ouvi o barulho do motor velho da viatura, o zunido dos carros que passavam por mim, me eram sons caros, me acalmavam. O carro parou de repente. Fui retirado por um colega e colocado na minha sala. Me deram água e café. Alguém bate na porta.
— Entra.
— N..., como você tá?
— Eu vou ser preso?
— Por causa do drogado? A gente já deu um jeito nisso, ninguém vai notar.
— Ótimo. E o filho da mulher?
— Já encaminhamos o garoto para o orfanato municipal. Falamos com ele, me disseram do seu pedido.
— Perfeito.
O orfanato municipal, eu já sabia, recebe a maior parte da ajuda e doações da paróquia da rua 52... Eu mereço meu destino, juro que mereço. Mas a mulher e os meninos não, não, não mereciam. E mais um dia se passa na cidade dos insetos, onde nossa sina cruel e vil se faz visível através das almas inocentes. Eternamente impotentes, pagamos um dívida infinita à ninguém, nadando nus em um mar de canivetes e facas, onde a consciência se desfaz e o desespero é cada vez mais cutâneo.
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  1. chiphead2332 (153 points, 73 comments)
  2. gordori (82 points, 37 comments)
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  1. Um destes é o novo prefeito de Curitiba. Consegue distinguir qual deles? by zikavirusfromhell (18 points, 0 comments)
  2. Curitiba vista do bairro Alto da XV by rpcastilho (15 points, 1 comment)
  3. Prefeitura anuncia aumento de passagem de ônibus em Curitiba (4,25, dia 06/02) by Chrono1984 (14 points, 11 comments)
  4. /gazetadopovo by leospricigo (14 points, 3 comments)
  5. Lumen FM anuncia encerramento das atividades após 12 anos by mrcapgras (14 points, 2 comments)
  6. Paraná TV starter pack by steingt (14 points, 1 comment)
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  1. 9 points: Chrono1984's comment in Rafael Greca estuda limitar grafite
  2. 9 points: punkcosmonaut's comment in Prefeitura anuncia aumento de passagem de ônibus em Curitiba (4,25, dia 06/02)
  3. 7 points: Chrono1984's comment in Greca diz que vai fazer "Lava Jato física" em Curitiba e que metrô é para toupeira (Entrevista para o UOL)
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  5. 7 points: tarigui's comment in (banhopensamento) O Parracho da RPC é a cara do Jeb Bush
  6. 6 points: Jvrc's comment in Manifestantes ameaçam atear fogo na sede do PT em Curitiba
  7. 6 points: chiphead2332's comment in Self:Um nordestino em Curitiba
  8. 6 points: eojnai's comment in Prefeitura anuncia aumento de passagem de ônibus em Curitiba (4,25, dia 06/02)
  9. 6 points: gordori's comment in Histórico da tarifa de ônibus em Curitiba
  10. 6 points: koselleck's comment in Richa anuncia volta da integração e do subsídio ao transporte coletivo de Curitiba
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2017.02.15 22:01 Scalira Right Where It Belongs

THROW ME IN THE LANDFILL
Havia sete anos que Mick Rory não ateava fogo a nada.
Havia jurado pelo sangue de sua mãe não começar um incêndio outra vez, não importando a beleza das chamas deflagradas a beijar e retorcer a madeira. Ou o quão bonito era vê-las crescer, uma força em si mesmas, um inferno calcinante que não deixava nada em seu caminho; vibrantes como a vida e impiedosas como a morte. Havia jurado por Leonard, o garoto que conhecera trinta anos antes no reformatório e que precisara salvar de ser esfaqueado até a morte, e com quem crescera contando estórias no meio-fio de uma estrada, bicicletas jogadas a um lado, ignorando que Lenny trazia um olho roxo e que rir, para ele, doía. Leonard, dos planos infalíveis e do sorriso gatuno que lhe fazia acreditar que tudo daria certo, no fim. Dos olhos frios, das emoções reclusas, o garoto Snart que não deixava ninguém chegar perto demais para ver o que havia por trás de suas barreiras de gelo, por trás de suas defesas tão bem construídas.
Jurou pelo mesmo Leonard que chorou à sua hospitalização.
Mick não tinha como saber com certeza.
Havia começado como sempre começa: uma chama inocente queimando em algum lugar; uma faísca. E Rory a alimentara para vê-la crescer e consumir e devorar: uma deusa dourada, implacável e cruel, verdadeira e justa. Ela o chamava, o convidava a descobrir os segredos do universo, aqueles segredos sussurrados apenas na sabedoria do fogo e, oh!, ele os queria descobrir. Os sons calavam quando o fogo falava e tudo ao redor – a casa rangendo, as vigas retorcidas, o teto desabando – nada disso importava, nada disso valia se o fogo apenas dissesse que o queria, chamasse seu nome...
Estava engolido nas chamas quando Leonard voltou por ele.
Estavam no meio de algo importante, não estavam? Mick já não conseguia se lembrar o que era. Tantos anos de vida no crime tornavam difícil distinguir os roubos pequenos dos grandes, os assaltos a mão armada dos intrincados planos milionários e com o fogo tão perto, tão quente e tão gentil, Rory não conseguia sequer lembrar-se de onde estavam. Alguém gritou que não deviam ter chamado o incendiário; uma voz tão fraca que implicava distância e pés fugidios que se afastavam do prédio, mas não os de Leonard. Os de Leonard faziam o caminho inverso, para longe da segurança e da noite clara e fumarenta e para dentro do inferno e do fogo, querentes de levar Mick com eles.
— Mick! — O ouviu gritar, não pela primeira vez. Mas o som era tão distante, tão fraco e irrisório frente ao estalar das chamas que não se voltou para vê-lo — Mick, nós temos que ir! Mick!
Outra noite Mick teria ouvido. Se as mãos de Leonard – aquelas mãos enluvadas, finas demais para esses trabalhos – o houvessem conseguido alcançar, Mick teria ouvido. Só que as chamas o engoliam em uma miríade, uma torrente, um paraíso de labaredas dançantes e sedutoras que se postavam entre ele e Lenny. Mick não podia ser alcançado. Não podia ser detido. As chamas o consumiriam e – deus, ele não negava – a morte seria bem-vinda.
Em algum momento, a voz de Lenny calou. Em algum momento, a escuridão o tragou. Em algum momento, as chamas cessaram.
Não esperava acordar.
Passou dias em tratamento intensivo. Quando foi finalmente movido a um quarto não recobrou a consciência. Foram semanas entre a realidade e a ilusão, o sonho e o desespero, alucinando na tênue linha da mortal eternidade. Mais de uma vez pensou-se morto; a voz canora de sua mãe o chamava de filho e o convidava a ir para casa. Tantos anos perdido e agora finalmente encontrava o caminho de volta – era questão de seguir e aceitar. Mas noite dessas ouviu um soluço. Um soluço que pedia para ser perdoado, que pedia desculpas, que chorava em seu leito. Na junta do pescoço com o ombro, sentiu suas lágrimas. Elas trilhavam um caminho salgado nuca abaixo e era o único gosto de realidade que este sonho ainda tinha.
— Mick — Naquela voz roubada de Lenny, quebrada de choro — Mick, eu sinto tanto.
E aquela ilusão não convencia porque Lenny jamais pediria desculpas – jamais teria pelo que se desculpar. Tudo o que fizera, todos esses anos, fora salvar Mick do inferno de ser quem era. Trazer à sua vida o mínimo de normalidade. Lenny era uma constante, uma luz em meio a tormenta de se estar perdido sem saber de onde viera ou para onde iria. Leonard o fez sentir-se como parte de algo outra vez e Mick não se sentia assim desde a infância, vivendo em uma cidadezinha campestre a oeste da civilização. Embora as memórias deste tempo não estivessem exatamente lá, uma parte de si se lembrava amado e querido. Lembrava, também, de ter uma família e de ser mais do que empecilho ou ferramenta; lembrava de pertencer e do calor dos abraços, dos afagos e dos beijos, das noites embaladas de estórias e da afeição incontida. Por que Leonard se desculparia por ser sua família?
— Mick, eu sempre... — E as palavras sussurradas só para ele ouvir eram sonho e fantasia, eram delírio e pesadelo, eram tudo o que Mick sempre quisera e mais do que podia aceitar e este Leonard era utopia que selava o que tinham de um jeito que nenhum dos dois jamais se atreveu.
Mick nunca teve como saber com certeza que aquela noite não fora um delírio. Que Leonard Snart, o próprio, viera ao seu leito e chorara por ele por pensar-se culpado de alguma mágoa só sua. Mick jamais soube, mas a lembrança desta noite – sonho ou realidade – fê-lo prometer que nada daquilo se repetiria, mesmo que implicasse se afastar para não ferir; dar as costas ao bando de Leonard sem dizer para onde ia, incapaz de crer-se estável o bastante e controlado o bastante para deter-se diante das chamas. E se tivesse que escolher entre Leonard e o fogo, não estava bem certo do que escolheria. Para viver consigo, debaixo daquela casca de corpo onde deveria ter um homem, Mick deu-lhe as costas e não olhou para trás. Leonard não o procurou.
Sete anos e as coisas continuavam iguais.
Controlar a vontade do fogo não foi fácil.
Esses anos todos foram repletos de remédios e terapia, visitas psiquiátricas e duras observações. Os grupos de apoio – Mick pagou com a língua por rir dos imbecis que a eles se juntavam – foram, talvez, a mais útil das medidas que tomara. Saber-se junto de outros seus iguais ajudava. Aplacava essa voz insistente e ranzinza, gritando que era um doido; um psicótico que, como o fogo, só era capaz de calcinar e destruir, deixando nada além de cinzas por onde quer que passasse.
Foi difícil aceitar que não teria a companhia das chamas outra vez.
Não foram poucas as vezes que se viu em recaída olhando para labaredas que subiam e estalavam e beijavam e mordiam. Embora os fogos jamais tenham saído de controle, a pontada de culpa logo virava maré e mar em ressaca e Mick se via à deriva nessas águas de autocomiseração.
Toda vez que se olhava no espelho – e ele se forçava a se encarar no espelho, a camisa puxada acima dos ombros para ver os estragos – tinha de ver os ombros e as costas lavrados de cicatrizes; marcas fundas na pele que se arrastavam para todos os lados como um polvo cujos tentáculos jamais se esticariam o bastante para naufragar navios no mar branco de suas costas. O horror que o fogo deixara manchara para sempre sua carne e sua vida.
Uma parte sua gritava que essa era sua verdadeira natureza: monstruosa, deformada, tingida pelas chamas que tanto amava e a que se entregaria sem pensar, consumido na abençoada inconsciência que o fogo traria. Mas outra parte – o todo de quem era – tinha de se lembrar que não era por ele. Era por Leonard. Porque aquelas marcas poderiam muito bem não ter acabado em seu corpo, mas em Leonard. O mesmo Leonard que se orgulhava da pele macia, das mãos finas de gentleman, da beleza que traía o fosso onde crescera com seu pai e irmã. Aquelas marcas do fogo poderiam ter-lhe tomado a vida, a forma, o corpo e a carne; incinera-lo a uma massa pútrida e informe a ser deixada para trás para ser reconhecida pelos dentes. E teria que suportar Lisa olhando para ele – para aquilo que restara do irmão – e erguendo os olhos de princesa para encará-lo com raiva, com ódio, com as chamas do fogo gritando vingança.
Todas as vezes que se via no espelho Mick Rory se forçava a ver este cenário, vivo como uma brasa que queimasse em sua mente e por trás de suas retinas. E todas as vezes que baixava a camiseta estava resoluto a seguir em frente mais um dia.
Fugiu para algum lugar da boa e velha América, para uma dessas cidades sem nome que malmente figuram em um mapa. Bom lugar para permanecer de tocaia, para esperar a poeira baixar até que as coisas se acertassem outra vez, para largar-se com as costas no chão e os pés para cima até seu cheiro desaparecer na poeira da estrada. Mas este era seu passado falando; um Mick Rory que não existia mais.
As coisas nunca se acertariam outra vez.
Este lugar era agora sua casa, inda que lar fosse uma palavra que não usaria de novo. Não era amado, tampouco temido. Os anos que ali vivera o tornaram uma constante dessa cidadezinha; um membro que era pouco mais que figuração, parte da paisagem, rotina. Tinha um emprego medíocre numa oficina mecânica e se comprazia em dar ofício às mãos. Quando elas trabalhavam, calejadas e sujas de graxa, a mente se ocupava dos detalhes e das peças, das engrenagens e dos parafusos e se afastava da escuridão que gritava pelas chamas.
Os dias passavam indiscerníveis e iguais. Era uma existência monótona, preto e branca, tão diferente dos tempos efervescentes que passara com os Snarts e seu bando. Volta e meia se pegava pensando naqueles roubos, nas expressões aparvalhadas da polícia, na pilhagem e nos espólios e ria sozinho. Seus colegas o tomavam por louco – e como estavam certos, mas pelas razões erradas! –: o imbecil musculoso que dava para falar sozinho e rir por motivo nenhum. Mick deixava que pensassem o que quisessem. Leonard o havia convencido, tantos anos antes, dos benefícios de ser subestimado e de passar despercebido.
— Ei, grandão! — Porque nesse lugar esquecido por deus ele não tinha um nome. Era “o grandão”, “você aí”, “o cara lá”. Tudo certo. — Tem alguém procurando por você!
E lá nos fundos da oficina estava Leonard Snart, o próprio, bem do jeito que Mick lembrava.
Após sete anos no escuro, Mick Rory viu as chamas outra vez.

Leonard Snart era um homem de palavra.
Ele não acreditava em deixar um dos seus para trás, muito menos em trair a confiança que lhe fosse imposta. Não eram muitas as pessoas que mereciam seu apreço e estas poucas com quem se importava eram aquelas que protegia. Leonard sabia que, em sua linha de trabalho, aqueles que você ama são sempre usados contra você; as únicas coisas que podem te ferir são as dores causadas àqueles por quem você daria a vida. Mas não se importar era a mesma coisa que não estar vivo. Lenny preferia os riscos desta afeição a uma existência vazia que não se perdoaria viver.
Assim, quando Mick Rory deu baixa no hospital – o mesmo hospital para onde Leonard o havia arrastado num desespero de que nem bem se lembrava; o hospital que tivera de pagar do próprio bolso, arrumando um emprego de fachada – e decidiu por conta que não iria voltar com eles, mas sim partir para sabe deus onde, Leonard teve que engolir o orgulho e a honra e todas as bonitas palavras ensaiadas que o fariam ficar. Teve de medir sua paciência e impedir-se de fazer algo de que se arrependeria. Teve de respirar e forçar-se a encontrar a calma; um lugar dentro de si para onde ia para esquecer de quem era. Teve de fechar os olhos e saber que era melhor assim.
Quando Mick partiu Leonard não o procurou.
Havia algo naquelas costas que sumiam na distância que diziam que essa vez não era como as outras. Que Mick não voltaria com um sorriso vagabundo e um ar de cachorro abandonado, nem que Leonard devesse procura-lo e consertar fosse lá o que houvessem quebrado. Len tentava esquecer que talvez fossem as cicatrizes – aquelas fundas e feias cicatrizes que carcomiam a carne e que rajavam os ombros e que despontavam mesmo das mangas longas dos casacos. Tentava esquecer que talvez fosse o fogo, talvez fossem as chamas, talvez fosse um chamado. E tentava esquecer que Mick Rory não voltaria atrás naquela decisão.
Melhor assim, era o mantra repetido para se convencer de que não falhara com Mick. De que não fora sua culpa as coisas terem chegado tão longe. De que não fora preciso que um dos dois quase morresse para verem que não podiam seguir em frente, não assim. Melhor assim. E tinha que se forçar a engolir essa sensação de que estava deixando Mick para morrer, como um gato velho demais e doente demais que se afasta de casa para perecer sozinho.
Os trabalhos foram surpreendentemente bons ao longo dos anos.
Leonard sabia que não ter Mick por perto tinha lá suas vantagens.
Para começar, era muito mais fácil pensar sem tê-lo por perto. Era fácil planejar seus golpes sem se preocupar se Rory conseguiria manter-se sob controle, se conseguiriam entrar e sair sem serem vistos ou se acabariam o dia engolidos em chamas. Era menos estressante; fazia bem não ter que olhar sempre atrás de si e procura-lo, não ter que se preocupar com ninguém além de si próprio durante um assalto. Mas o preço que Leonard havia pago não compensava o lucro dos ganhos. Era Lisa quem apontava as olheiras, frutos de noites mal dormidas. E resmungava por serem dois idiotas, um mais cabeça dura que o outro.
— Ele não quer ser encontrado, Lisie — Falou certa feita. Erguia os olhos das plantas dos prédios que estudava antes de haver cochilado.
— O que não quer dizer que você não deva ir atrás dele.
E aquela foi sua última palavra sobre o assunto.
Len, sendo o sujeito racional que era, teve de analisar todo prospecto possível que a situação exigia. Se – e era um grande “se” – voltasse por Mick, como as coisas seriam entre eles, então? Ele tinha de saber-se mais confiável; saber que impediria o outro caso a situação fosse outra vez tão extrema. Os pesadelos, mesmo passado anos, se repetiam iguais. Eram cacofonias de gritos e fogo e o estalar e ranger da madeira. Lembrava de acreditar que o arrastava morto para fora da casa, desesperado demais para qualquer outra coisa que não agir por impulso. De jogá-lo para dentro do carro e deixar joias e dinheiro para trás, pouco se importando se era o lucro de uma vida e todo o trabalho pelo que haviam sofrido e trabalhado e que as chamas engoliam. Não havia pedido por uma ambulância porque se acreditara sem tempo. Estivesse acordado, Mick reclamaria por Lenny estar dirigindo. Estivesse acordado, Len jamais tocaria o volante. Mas Mick não estava acordado e não iria acordar e Len precisava dirigir – e, droga, dirija! Milagre terem chegado ao hospital inteiros. Milagre, também, Mick ter vivido para contar aquela história. E Leonard o deixou ir porque não suportava a ideia de não poder protege-lo; de ter que vê-lo morrer diante dos seus olhos, ao alcance das mãos, mas ainda assim tão longe.
Levou tempo para aceitar que tinha tanto medo de ferir-se como tinha medo de feri-lo.
Quando se aquietou com a situação teve de tomar coragem para encontra-lo de novo. Sabia que Mick não o culpava, mas isso não tornava as coisas mais simples. Havia essa sensação enredada no estômago que lembrava uma ânsia; um nervosismo mal dissimulado da culpa auto infligida.
— Vá vê-lo, Leonard. — Lisa só o chamava de Leonard quando a coisa era mesmo séria — Ele vai gostar de te ver.
A isso Leonard havia sorrido como quem duvida, mas as sobrancelhas da irmã o repreendiam e o desafiavam a dizer o contrário. Vencido, Leonard Snart fez as malas para o interior, sem saber que o destino tem seu próprio jeito de brincar com a vida das pessoas. Estava de passagem comprada quando a voz de Lewis Snart o assaltou no telefone:
— Ei, rapagão — O tom, o timbre, a voz que lhe embrulhava o estômago — Estava na cidade, então pensei: por que não ligar, não é? Não é isso o que quer dizer família?
Mas Lewis Snart não era sua família desde que Leonard se lembrava.
Seu pai, Lewis, havia sido um policial, mas havia sido há muito tempo. Isso antes de aceitar os subornos e as rondas ilícitas e cair nas graças da máfia e das famiglias. Só que era um criminoso de raia miúda, desleixado e arrogante, crente de ser melhor e mais esperto do que a polícia onde trabalhava. Apenas sua cegueira insolente não via que era o mais medíocre dentre os ladrões; que seus trabalhos e serviços eram desimportantes o bastante para não serem notados, indignos de confiança e desdenhados por qualquer outro que não ele. Não, não ele, ansioso como um cão atrás de um osso, mas nojento e pérfido como um rato. Nenhum dos figurões do crime o levava a sério, mesmo que fosse sempre bom ter um ou dois tiras no bolso.
Quando pego, Lewis deu nomes que ninguém rastreou. Falou de pessoas que nunca existiram. Dedurou colegas e ligações que ninguém se importou em checar. E, quando solto sem patente ou distintivo, procurou as famílias jurando não ter aberto o bico nem dito palavra. Um larápio mais inocente acreditaria. Não foi nem preciso forçar as condições de sua prisão: ele tinha o péssimo hábito de não ser bom em nada e de entrar em seu próprio caminho. O incumbiram do roubo de uma esmeralda tão grande quanto o punho de um homem e Lewis Snart foi pego em flagrante. Resistira à prisão. Ofendera os oficiais. Ficara preso cinco anos até sua soltura e o tempo que lá passara acabaram por transformar em escória o que já era um homem podre.
Virou um bêbado incorrigível. Para esquecer, ele dizia. Esquecer que tinha uma família inútil que o arrastava; três bocas para alimentar que nada faziam além de pedir, reclamar e cobrar. Deus, dia desses se tivesse uma arma ele faria por merecer esses anos na cadeia. E deixava isso claro todas as vezes que batia na esposa. Que porcaria de comida era aquela, afinal? Ele se matava nas ruas para conseguir pôr comida na mesa e, quando o fazia, ela cozinhava o regurgito de um gato? A puta precisava apanhar para saber que o lugar dela era com a barriga colada no forno ou as pernas abertas na cama. E batia nos menores pelos gritos, pelo choro. Até pelas risadas baixas que dessem enquanto ele próprio dormia. Esses diabos tinham que aprender a respeitar o santo sono de um homem. Lenny e a irmã iam dormir aos prantos com o lombo ardendo das varadas e do açoite. Certa vez passara as mãos de Leonard a ferro quanto o molequinho tentou pegar seu troco da venda. Um dólar e setenta, para um sorvete. Tinha que aprender a não foder com ele. E não era tudo uma lição agora? Batia neles para que aprendessem a calar a boca, para aprenderem respeito, para abaixarem a cabeça e aceitar.
Dia daqueles a mulher fugiu sem os filhos. Deixou-os para trás no desespero de ver-se livre do marido. Talvez tenha crido que ele a acusaria de sequestro, de leva-los contra sua vontade. Fosse como fosse, nunca voltou para busca-los nem nunca olhou para trás para lembrar-se de que tinha família.
Leonard cresceu sendo o escudo da irmã. A pequena Lisie, tanto tempo mais nova, fora a única alegria que seus pais o deixaram. Seu sorriso de menina e risinho cristalino eram doces como o orvalho e Leonard se embevecia deles para esquecer a vida miserável que tinha. Quando os tapas e o açoite eram demais durante o dia, Lenny se achegava a ela de noite e lhe contava estórias. De princesas e dragões e de finais felizes. Ela apertava a sua mão e beijava sua bochecha e, escondido no escuro, Leonard chorava quieto para não desperta-la.
Jurou protege-la. Durante todos os anos que cresceram com aquela pobre desculpa de pai, Leonard cumpriu sua promessa. Não deixava que o homem relasse nela suas mãos. Sempre que bebia e parecia que sua ira explodiria em um dos dois, Leonard fazia questão de ser este um. Sempre ao alcance de seus tapas e de seus socos e sempre distante de Lisie. O mais que podia, pedia para que ela ficasse em seu quarto e não tivesse que ver nada que não queria. Sendo boa menina, ela obedecia. Pedia que ficasse quietinha. Pedia que fosse boazinha. E Lisie era boazinha e quieta mesmo quando as vozes erguiam oitavas e coisas voavam pela casa. Não dizia palavra nem mesmo quando seu irmão voltava para o quarto tingido de roxo, vermelho e do evanescente amarelo de abrasões que não tinham tempo de curar antes de serem cobertas por outras novas.
— Diz logo o que quer e desliga.
— Vai com calma aí, rapaz. Não erga a voz para o seu pai.
Os dedos se juntaram na ponte do nariz. Uma dor de cabeça surda surgiu de lugar nenhum.
— Mas já que quer saber, talvez eu precise de ajuda num trabalho importante.
— Não.
— Eu não diria que você está em posição de recusar. Diga olá pra ele, querida.
— Lenny! — A voz de Lisie gritou ao telefone — Lenny, não faça nada do que ele pedir, eu vou ficar bem, Len- hmmph-
— Cale essa boca, acho que ele já entendeu — O sorriso palpável do outro lado da linha — Não é, Lenny? Vai querer ajudar seu velho pai?
Leonard não teve como dizer não. Teve, também, de ver o ônibus chegar e partir enquanto ficava com os pés presos na estação.

[ Bom gente, é isso. Fim do primeiro capítulo, BUT- tem mais. Bem mais. Mas queria saber aí a opinião de vocês, porque é :'3 ]
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