Encontrar velhos amigos do ensino médio

Eu transei e só fez piorar as coisas

2020.02.11 04:14 jcc001 Eu transei e só fez piorar as coisas

Bem, olá
Eu sempre tive dúvidas sobre minha sexualidade, via algumas pessoas do meio dizendo que não era necessário me rotular, e eu até concordava com elas, porém eu me definia como bissexual.
Durante os primeiros anos da minha adolescência, via meus amigos (tinha héteros e gays) tendo suas relações sexuais e amorosas, e eu apenas com a inveja e a ''mão amiga'' de companhia, nunca conseguia ter uma relação com um cara ou com uma garota, apesar de sempre estar utilizando os aplicativos de paquera, eu sentia/sinto muito medo de me encontrar com uma pessoa que nunca tinha visto pessoalmente, e a minha timidez/ansiedade não me ajudam muito nesse caso.
Bem, passa o meu período de ensino médio, sempre acreditando que sou um cara bi que não arranjei a pessoa certa (bem HIMYM mesmo), sendo uma pessoa mais reclusa e que sempre vivia mais no virtual do que no real, e sim, sei que isso foi um erro.
Chegou o final do ano passado e pensei: Foda-se, preciso me conhecer!. Comecei a me aprofundar nesses aplicativos, principalmente no Grindr, pois é mais fácil de conseguir bater papo com homem mais velho do que com mulheres mais velhas, pelo menos pra mim, e consegui um encontro ou outro. Nesse meio tempo, eu ficava com algumas garotas em festas, mas não passava de beijos até que rápidos.
Na semana passada, saí pela primeira vez com um cara do Scruff, e eu já consegui conversar mais com ele, nos beijamos e rolou sexo oral. Eu curti muito, e com certeza gostaria de fazer de novo, porém, desde esse dia, eu estou bastante pensativo com essa situação criada pela minha mente nem sempre tão lúcida: eu não vejo mais tesão em nenhuma garota, nem vontade de beijar elas, e isso tá me estranhando demais, pois apesar de sempre flertar mais com homens, nunca deixei de flertar ou me sentir atraído pelo sexo oposto, até agora.
Simplesmente não sei lidar com isso, e quem me ajudar ficarei grato (ainda mais se leu esse textão todo)
submitted by jcc001 to arco_iris [link] [comments]


2018.07.13 00:27 Guilherme_marquess Literatura - Contos

Boa noite comunidade do reddit Brasil, já faz algum tempo que venho pensando em publicar um livro de contos, a minha ideia é produzir uma série de contos que envolvam temas que estão em pauta na sociedade atual e assuntos que são pouco abordados, temas como estupro, assassinato, machismo, racismo, incesto, suicídio, temas que acontecem no cotidiano, aparecem nos dados, mas as pessoas em sua maioria mesmo conhecendo algum caso, deixam de lado. Ainda preciso evoluir muito na questão da escrita, mas trago para vocês uma pequena amostra do que tenho escrito. Quem possuir alguma dica construtiva, indicação de alguma forma de conhecimento que possa ajudar-me, ficarei grato.
Nunca teve muitos desejos desde de pequeno e adolescente, conformava-se com qualquer situação onde se encontrava. Não sentiu interesse em entrar em uma faculdade, também não em conseguir um trabalho que lhe pagassem bem, afinal nunca foi de gastar muito com qualquer coisa. Trabalhava em uma empresa de ônibus local, conseguiu o emprego depois de concluir seu ensino médio, permaneceu anos na mesma linha e no mesmo horário, nunca cogitando trocar de emprego e se quer alterar a linha que fazia, gostava daquele, era perto de sua casa e tinha uma carga horária menor que as demais linhas.
Todos os dias passava pelos mesmos locais, conhecendo cada pessoa que entrava nas paradas durante o percurso, sentia falta quando alguém não entrava, conseguiu até fazer umas amizades que puxavam assunto de vez enquanto. Conhecia cada local, cada casa, cada loja, conhecia tudo o que existia e que havia sido construído depois que começou a trabalhar naquela linha. Era uma pessoa extremamente pontual, sempre acordava, arrumava-se, andava alguns metros até chegar na garagem dos ônibus, cumprimentava todos os funcionários do local, fazia sua oração e saia exatamente 7:30, não saia um minuto antes e se quer um minuto depois, sempre pontual e chegando nas paradas no horário previsto, quando possuía afinidade com algum passageiro e sabia que ele estava chegando, encontrava um modo de atrasar um ônibus e rever a pessoa entrando em seu ônibus, era um dos seus pequenos motivos de felicidade.
Trabalhava anos naquela profissão, uma das únicas mudanças durante 50 anos de trabalha foi troca de cobrador, pois ele que conseguiu passar em um concurso público para trabalhar na capital e uma mudança de ônibus porque com o péssimo estado de algumas partes da cidade, ônibus acabou sendo afetado. Durante os anos de profissão, ocorreu algumas greves por um salário melhor, greves para melhorar as pistas e segurança para os motoristas que frequentemente passavam por péssimas experiências por causa de pessoas que entravam mostrando ser passageiros e depois disso, anunciavam um assalto e levava os pertences dos passageiros e dinheiro guardado no caixa, mesmo com todos esses acontecimentos, não concordava com as manifestações, afinal, nunca tinha acontecido com ele, sendo assim, algo que não lhe afetava, assim como o valor do salário e a qualidade das estradas, estava perfeitamente satisfeito com as péssimas condições e gostava de ficar observando o que acontecia durante o percurso e olhar a expressão dos passageiros pelo retrovisor que de vez enquanto, sorriam para ele.
Sua família era muito simples, filho único, seu pai era policial e ganhava um salário suficiente para manter as coisas em casa e sua mãe por ter sofrido um acidente, tinha sido invalidada e passado o resto de sua vida em casa. Perdeu ambos muito cedo, seu pai acabou sendo baleado enquanto estava sem serviço e sua mãe por uma péssima alimentação e poucos exercícios, desenvolvido uma doença nos músculos e falecendo alguns meses depois. Ele nunca foi muito próximo de ambos e ficou mal por algumas semanas mas depois disso, tornando-se e continuando em sua profissão focado como desde o começo. Algumas vezes chegou a conversar com algumas moças, mas nunca tendo amado de verdade, muito menos se apaixonado, não sentia interesse em qualquer forma de relação e algo do gênero nunca fez falta, acabou passando a vida só e mesmo assim, sem esposa, namorada, sem amigos, apenas mantinha contato com seus colegas de trabalho mas nenhum dessas interações, jamais saindo do âmbito de seu trabalho, era apenas por necessidade.
Naquela mesma cidade, morava um garoto que sempre mostrou ser uma pessoa bastante curiosa, perguntava para seus pais sobre o que causava cada coisa, sobre o mundo, sobre o universo, sobre as pessoas, sempre lia livros de fantasias e cada vez mais interessava-se por cada coisa aparecia para seus olhos. Estudava em uma escola pública da região mas frequentemente faltava por causa da falta de professores, mas sempre que conseguia, fazia de tudo para conseguir chegar em sua aula. O ônibus que pegava era o mesmo da linha do motorista, sempre fica observando aquele senhor, por vezes escutou os passageiros comentarem que ele era sozinho, também que a sua rotina se baseava no trabalho e sua casa. Sempre se perguntava se ele era feliz daquele modo, porque a vida dele era assim e se algo tinha levado ele a viver daquele modo, era realmente um mistério para ele e todos os dias se pegava pensando nisso. Muitas pessoas parecem possuir um passado interessante e também uma vida mas quando conhecemos sua verdadeira face, não existe muitas coisas que realmente podem nos impressionar como esperávamos. Era esse o caso mas a imaginação do jovem lhe proporcionava imaginar milhares de coisas sobre o senhor que mal conhecia e todos falavam mal.
Um dia o garoto ficou até tarde acordado escrevendo um trabalho, precisava da nota para passar na matéria e então mesmo lutando contra o sono, permaneceu acordado. Seus pais lhe acordaram e mesmo com sono, fez suas atividades matinais, tomou seu banho e despediu-se dos pais, logo depois caminhou até a parada próxima e esperou o ônibus. O ônibus estava com poucas pessoas, algo que raramente acontecia mesmo sendo uma cidade com poucas pessoas, então pensou que poderia tirar um cochilo antes que o ônibus chegasse em sua parada. Encostou próximo ao vidro colocando o seu casaco como uma espécie de travesseiro e fechou os olhos, depois de alguns minutos caindo no sono e por estar cansado, passando direto da sua parada, acordando apenas no terminal. Ficou extremamente preocupado por não conhecer aquele local da cidade e também por perder os pontos que precisava para passar no bimestre. O motorista que sempre pensava sobre a vida, estava no ônibus, então saiu pela porta de trás e entrou novamente no ônibus, sentando-se nos bancos atrás do banco do motorista e aproveitando a falta de movimento e a oportunidade de matar parte de sua curiosidade, olhou para o senhor e então disse:
- É verdade o que dizem sobre o senhor? - O que dizem sobre mim? - Que o senhor não tem família, que tem muitos anos que sua vida é apenas dirigir esse ônibus e descansar até o outro dia em sua casa.
O senhor ficou sem expressão por alguns segundos, olhou nos retrovisores e então calmamente respondeu o garoto:
- Desconheço porque dizem essas coisas sobre mim, não importa o que faço fora daqui e também, o que faço da vida, mesmo assim, é verdade, perdi meus pais muito cedo e trabalho nessa profissão tem um bom tempo, mas isso não é algo que você ou alguma outra pessoa precise se preocupar.
O garoto achou grossa a resposta do senhor que sempre era tão calmo, esperava que ele respondesse que era uma mentira, possuía expectativas que fosse apenas um boato de pessoas que não conseguem conversar sobre algo mais interessante. Mesmo assim, não estava decepcionado com a cruel verdade sobre o senhor que idealizou uma vida fantástica, não desistiu de continuar com suas perguntas, na verdade, ficou empolgado e perguntou:
- Mas por qual motivo sua vida é assim? Digo, porque nunca pensou em fazer outra coisa? Porque continua fazendo as mesmas coisas? Isso não lhe torna infeliz?
- Pelo contrário, eu gosto de todas as coisas que faço, tudo isso que vivo, foram minhas escolhas, continuo bem fazendo isso, nunca parei para pensar em fazer outra coisa. Sou bem feliz com a minha vida, espero que consiga ser feliz do mesmo jeito que eu sendo sincero, ainda possui muito para viver, é jovem, cheio de pensamentos, cheio de vontades, espero que faça bom uso disso tudo. Tenho que continuar prestando atenção no trânsito, não seria bom caso eu batesse em algum carro por descuido.
O garoto ficou frustrado, não era o que esperava, não conseguiu encontrar nada demais, sem grandes feitos, sem grande aventuras, não era o que ele imaginava. Então, apenas dirigiu-se para os bancos traseiros, sentou-se e ficou lá até sua parada. Apenas uma das primeiras decepções que alçamos esperar demais de coisas que não possuem muito para nos apresentar, mesmo assim, valendo a pena conhecer .
Depois de passar boa parte do tempo pensando nos questionamentos do jovem, o senhor terminou a sua linha e caminhou até sua casa. Trocou de roupa e esquentou a comida que tinha guardado do dia anterior, sentou-se no sofá e ligou sua pequena televisão. Depois de jantar, parou para pensar sobre o seu dia, mesmo com poucas coisas interessantes, sempre cultivava esse hábito. Pensando sobre porque as pessoas falavam mal dele mesmo ele sempre esforçando-se para agradar as pessoas. Não compreendiam porque esperavam mais coisas sobre a vida dele, também as críticas por trás do seu estilo de vida. Ficou minutos pensando nisso até que caiu no sono, depois disso, nunca mais pensou nessa questão. Continuou mantendo sua rotina, seu estilo de vida, por mais alguns anos seguidos sem mudar absolutamente nada além dos pratos preferidos por ter desenvolvido diabetes por sempre mascar balas enquanto dirigia.
Anos mais tarde, teve sua aposentadoria forçada por causa de políticas dentro da empresa referente ao tempo de permanência no emprego. Mesmo contra sua vontade, teve que abandonar seu emprego e deixar tudo aquilo que ocupava todo o seu cotidiano. Com uma expressão triste, pegou algumas coisas que guardava em seu armário, seu escapulário que estava no retrovisor do ônibus e seus ex-colegas de trabalhos. Voltou para sua casa, sentou-se e pensou sobre o que poderia fazer agora que encontrava-se sem emprego e o que poderia fazer com o salário da aposentadoria e as econômicas que conseguiu durante todos os anos trabalhando como motorista. Como já estava tarde, decidiu dormir e pensar sobre o que faria de sua vida, deitou-se e em um sono tranquilo, adormeceu sem muita preocupação, o que viria depois ainda não estava claro para o velho senhor toda a complicação.
Depois que acordou involuntariamente continuou sua rotina, até perceber que depois dos hábitos que cultivava em sua casa nada mais teria para fazer. Quando a nova realidade apareceu mais clara em sua mente, mais fresca e todo o vazio que restava depois disso, lhe abalou como um terremoto abala um prédio e tudo o que resta é esperança de que continue em pé mesmo com todos os danos que deixam marcam em sua estrutura. Se manteve parado em frente a sua porta, pensando para onde iria, o que faria, se perguntando o que poderia fazer em sua casa, mas não chegava em nada demais, nunca se preocupou com alguma espécie de entretenimento, nunca ficou muito tempo além da noite descansando dentro da sua casa. Dentro de todo aquele vazio sem pessoas, sem cor, encarava a porta, pensando em tudo o que poderia existir lá fora, mas uma dúvida enorme apresentava-se para ele, mesmo tendo andando por anos naquela cidade, conhecia apenas os locais por onde sua linha passava, conhecia apenas as pessoas que entravam em seus ônibus e os seus colegas de trabalho. Percebeu que aqueles pequenos locais, era o seu mundo, que as pessoas, não passavam de um mero cenário, passou anos dentro de uma realidade que se quer conhecia, toda a perspectiva de conhecer, uma ilusão. Todo o entretenimento que poderia ter, perdeu-se com o tempo em seu próprio mundo sem se quer ele perceber, sem conhecer nada, mesmo vivendo anos, sem ter feito nada mesmo com muitas coisas para fazer e com tanto dinheiro acumulado que não foram gastos com absolutamente nada. Andou pelos cômodos de sua casa, não tinha nada que tinha produzido, não tinha nada que comprou e muito menos que recebeu de presente de alguém, nenhum feito, nenhuma memória feliz, nada que ele poderia observar e reconhecer como algo que fez sua vida valer a pena.
Saiu da sua casa e andou pela rua, não reconhecia o que as pessoas estavam dizendo, não reconhecia o que as pessoas estavam vestindo, com tantos anos estando na direção de um ônibus, não sabia onde cada uma das outras linhas levavam e pensava se os motoristas tinham uma vida como a sua, se as pessoas sentadas no banco do passageiro, pensavam o mesmo que o jovem anos atrás que atualmente deveria estar adulto comentou sobre o que falavam sobre ele e ele tão preso em sua rotina não foi capaz de perceber. Sentia-se uma pessoa de outro mundo, outra realidade, sentia-se distante de todo aquele mundo onde permaneceu anos inserido que agora, depois de tudo, parecia algo totalmente novo. Pensava sobre o que poderia ter feito, como tudo poderia ter sido diferente, se agora estaria mais feliz, se agora poderia sentar-se em uma mesa e contar para a juventude tudo o que aprendeu, tudo o que viveu, tudo o que absorveu do mundo. Agora não tinha a mesma saúde, não tinha o mesmo tempo, sua conta dinheiro para viajar para qualquer lugar, comprar o que quisesse, visitar algum local que gostasse, mas não conhecia nada, se quer tinha escutado falar, também, não poderia convidar alguém para uma conversa, não conhecia ninguém, não poderia compartilhar algo que sentia, não tinha vivido nada que lhe despertasse amor, felicidade, prazer, muito menos uma pessoa que pudesse escutar tudo o que depois de ter percebido o enorme vazio que tinha criado, era como aquelas pessoas e locais que apareciam durante o seu percurso, encontravam-se lá, mas eram desconhecidas, não conhecia sentimentos, memorias, olhares, gestos, o que amavam, suas comidas e músicas favoritas, seus momentos felizes, seus pensamentos, sua história, estavam lá, mas ao mesmo tempo, não eram nada, depois de sumirem da visão, nada restaria daquelas pessoas, assim como depois que partisse, não teria feito, nada teria criado, nada teria conhecido, se encontraria no mesmo estado dos primeiros anos da sua vida de imaturidade, indecisões, inocência, anos de vida e nada vivendo. O senhor apenas pensava se poderia ainda viver o que não viveu, fazer algo que compensasse todo o tempo que perdeu, se ainda restaria algo para sentir, viver, conhecer, se o mundo que todos os dias se apresentava poderia lhe fazer sentir tudo o que não tinha sentido.
submitted by Guilherme_marquess to u/Guilherme_marquess [link] [comments]


2017.06.01 17:25 Jukeboss- Quando eu fiquei com a garota que eu gostava, mas tudo deu errado

Bom dia. Há alguns dias atrás, aqui no /brasil, presenciei um ato de coragem, no qual uma user relatava uma crônica escatológica de altíssimo nível. Não tenho como intuito superar tal drama, queria poder não ter passado por tal situação. Se o meu eu de hoje encontrasse o meu eu daquele fatídico dia, diria: não vá. Mas, isso não aconteceu e eu fui para o que deveria ser uma noite de diversão, mas foi de uma série de acontecimentos errados, dignos de roteiro do Fargo.
Em um sábado, durante a tarde, estava conversando no MSN (rip) com uma guria no qual eu gostava desde o primeiro dia do ensino médio. Estava no último ano, então podíamos dizer que eu era BFF dela, embora eu quisesse tentar algo desde sempre, nunca havia tido a oportunidade, dado que ela só ficara solteira havia pouco tempo e dito que queria ficar de boas. Papo vem, papo vai, ela usando o famigerado “vs” para o você. Eis que ela me convida para um evento. Bom, não foi exatamente um convite, e sim um

vou lá no hoje a noite com umas amigas, vai tbm pra gente se veeeer”.

Disse que pensaria no assunto, porque precisava cuidar da casa. Na verdade eu tinha partida combinada com o clan de DotA no RGC, e àquela altura da situação entre nós, eu já tinha desistido dela ficar comigo.

Acabou que de última hora, algum escroto (eu te odeio com muita força, cara, você podia ter feito eu evitar tudo isso) desmarcou a partida de dotinha e não fechamos um time. Olhei pro relógio e dava tempo de ir pra festa, só teria que arrumar uma carona. Mandei mensagem pra 4 chegas, perguntando quem ia e quem poderia me dar carona. Arrumei uma carona que chegaria em 20 minutos. Me aprontei com a minha melhor vestimenta, uma camisa preta, um jeans escuro e um coturno preto (nada descolado, porque naquela época o conceito hipster era novidade até em cidade grande, então tudo que eu sabia usar era preto). Passei meio litro de perfume, só muitos anos depois descobri que isso é tão ruim quanto não passar perfume. A carona buzinara lá fora e prossegui para o evento.

Entrei com o colega da carona. Não era exatamente uma festa, mas um daqueles barzinho com espaço bem amplo pro povo tentar se pegar numa suposta pista de dança, enquanto tocava música eletrônica. Acho importante ressaltar que eu nunca me dei bem com esse tipo de ambiente, sempre fiquei muito nervoso em locais cheio de estranhos, abafado etc. Eu mal havia entrado e já não me sentia bem, queria ir embora. Já havia me arrependido de ter ido, mas teria que aguardar a carona, porque era distância de quase uma hora andando de volta pra casa.
Como não tinha mais jeito, pensei "tá no inferno, bora sentar no colo do capeta”, comprei um copo enorme de cerveja (ou pelo menos era o que estava escrito num cartaz rudimentar) e fui bebendo, enquanto andava pelo local totalmente perdido, já não sabia mais onde estava meu colega. Eis, que encontrei a garota no qual eu era apaixonado e ela estava absurdamente linda, eu nunca havia visto ela tão arrumada e com vestes tão curtas. Bebi toda a suposta cerveja de uma só vez, voltei até o balcão e comprei outra. Respirei fundo, estufei o peito, fiz força com o braço flexionado, pra parecer fortão (estava enganando quem?), segurando o copão de cerveja, ajeitei a postura e caminhei lentamente até ela. Estava me sentindo confiante. Era hoje! E realmente era, eu só não sabia exatamente a que custo. Na minha cabeça, estava andando como um daqueles caras de comercial de carro importado, que chegam no local todo pimposo e as mulheres se derretem, mas na realidade acho que eu deveria estar marchando igual um pato em direção a pata.
Ela me viu, sorriu, ou riu, não tenho certeza hoje em dia. Dei um beijo naquele belo rosto, erramos os lados e quase nos beijamos. Ela riu. Nós rimos. Ela pediu licença para as amigas e nos sentamos numa espécie de puff para dois. Lembro que ela ficava ajeitando a barra do vestido. Nem sequer lembro o que conversarmos, só sei que eu fui bem virjão e falei que gostava muito dela, que ela estava linda etc. E ela sorria muito. Reparei que as amigas estavam todas olhando pro nosso rumo, de forma nada discreta. Não sei exatamente o que aconteceu. Só percebi que ela veio pra cima e nos beijamos. Ficamos cerca de 10 minutos nos beijando. Ela se afastou, sorriu e disse que precisava ir ao banheiro. Concordei, me ofereci de acompanhar ela até a porta, ela disse que não precisava, mas que logo voltava. Ela mal levantou do puff e eu senti o demônio, ou melhor a legião toda. Foi numa única repuxada dentro do intestino que eu percebi que as coisas não estavam bem. Mal tive tempo pra dar aquele soquinho no ar de vitória por ter beijado a guria, pois minhas mãos se concentravam em apertar a barriga. Levantei rapidamente pra ir até o banheiro masculino, que era no sentido oposto do feminino. Andei até lá segurando o brioco, num movimento muscular de fecha e trava. E a barriga assoprava a trombeta dos 13 infernos, com barulhos que não sabia que era possível vir de dentro de um ser humano.

Logo que me aproximei do banheiro, avistei uma fila que me fez lacrimejar, era enorme. Parei atrás da última pessoa na fila, enquanto suava frio e tremia, e toda minha concentração física, psíquica, mental e espiritual se concentravam em tentar travar o anus com mais força possível. Eu mentalizava “vai dar, se concentra, calma, tu consegue, você vai conseguir, força”. E cerca de infinitos 30 segundos que nunca passavam, percebi que eu não iria sobreviver naquela fila. Eu tinha que sair daquele lugar, o mais rápido possível. Me dirigi ao caixa, que como era muito cedo ainda, não tinha fila. Dei minha comanda, paguei as cervejas. Havia dado 30 reais, somando a entrada, devo ter dado 50 na mão da mulher. Não esperei por troco, não era humanamente possível, já não estava pensando, só agia. O pensamento estava totalmente concentrado em confabular com meu intestino, tentando chegar a um acordo impossível.
Comecei a andar em direção a minha casa, tentando encontrar um banheiro público. Cada passo era uma repuxada de dor, eu seguia fazendo a milésima série de apertar e travar o anus. Minha camisa já estava toda ensopada. Andava como se tivesse pernas de pau, com medo de abrir demais as pernas e não conseguir controlar a situação. Após andar uma rua inteira, percebi que a situação estava mais controlável. Aparentemente eu estava ficando muito bom em dialogar com meu corpo. Me senti um daqueles monges do Tibete, que conseguem controlar a temperatura do corpo, ou algo assim. Experimentei acelerar o passo e consegui. Naquele momento eu era a pessoa mais feliz do mundo. Eu conseguia respirar mais calmamente e a dor cessara. Acontece que a felicidade é ínfima. Mal completei mais duas ruas e senti minha barriga vibrar e a legião voltara a urrar como se estivessem prontos para adentrar os portões celestiais, mas no caso era sair da minha bunda mesmo. Até aquele momento, nada havia saído, absolutamente nada. Mas no momento do vacilo, falhei em segurar um gás quente, foi breve, mas longo o suficiente pra perceber que algo estava morto dentro de mim há dias. Era um cheiro pútrido de morte, que fez meus olhos lacrimejarem e tive um ataque de ânsia. Voltei a tremer e apoiei numa parede. Percebi que não chegaria em um banheiro. Já tinha dúvidas se iria sobreviver. Sentia que a podridão estava se alastrando pelo meu corpo. Pensei em agachar ali na rua mesmo e deixar rolar. Quando dei por mim, havia carros passando, não era rua deserta, tão pouco era escuro o suficiente para que tivesse um mínimo de dignidade. Analisei minha situação. Precisava encontrar um local seguro, pois tinha certeza que não seria um momento breve. Olhei ao redor, enquanto tremia e exercia com muito mais afinco o apertar e travar. Vi muros altos, percebi que não conseguiria pular eles. Vi um muro mediano e também vi uma câmera de vigilância. Por fim, no outro lado da rua, vi uma bela residência, com muros baixos, cercadas por palmeirinhas. Era ali que o meu flagelo terminaria. Estava decidido, era o que o destino havia me reservado e eu o abraçaria com força.
Manquei até a entrada da residência, aguardei que não tivesse nenhum carro transitando na rua e encostei meu corpo na mureta, deixei que meu próprio peso me conduzisse pelo muro acima, não queria arriscar fazer movimentos acrobáticos enquanto todas minhas forças musculares se resumiam a um único músculo. Cai pelo outro lado, destruindo um canteiro de flores. Engraçado, é que naquele momento, tudo piorou. A dor, a intensidade dos barulhos, o suor, até a visão estava turva. Achei que fosse desmaiar ali mesmo. Comecei a desabotoar a calça, descer o zíper, apenas implorando por mais uns segundos de força. Então um carro passou e percebi que eu ainda estava exposto, pois quando um carro vinha em direção da casa, iluminava muito a mureta e a luz passava pelas palmeiras. Com medo de ser visto, denunciado ou coisa assim, fui agachado com as calças na altura da coxa, até a entrada da casa, que ficava em uma espécie de curva em L em relação ao portão, então não estaria mais exposto. Verifiquei as janelas e todas luzes estavam apagadas. Fui até o rumo da porta, pra verificar se não ouvia nenhum barulho lá de dentro. Ao me aproximar da porta, senti o tranco final. O músculo havia falhado e pude sentir todo o meu corpo cedendo, desistindo de mim e se entregando àquela fatídica bomba infernal. Vi um tapete escrito “Bem-vindo” e tentei puxar ele, mas lembrei que havia a cueca para puxar. Optei pela cueca. E senti aquela rajada descomunal sair. Era como se os piores cheiros do mundo estivessem em um só local e esse local fosse o meu intestino. Eram fezes com gases saindo com a pressão de um tiro de espingarda. O alivio foi mais instantâneo do que miojo. Eu já não tremia, já não sentia dores, tudo que eu fazia era torcer pra ninguém abrir a porta. O cheiro sequer me incomodava mais, era praticamente um perfume satânico, um presente pela sensação de estar finalmente livre. Devo ter demorado cerca de 10 minutos. Rasguei a cueca e tentei limpar o que dava, como minha bunda, minhas coxas, beirada do coturno. Não foi o suficiente, larguei a cueca ali mesmo, e usei as meias para acabar o serviço. Quando finalmente havia abotoado a calça, olhei o prejuízo. Eu havia pichado a metade inferior da porta com bosta. Já não era mais possível ler o “Bem-vindo” do tapete. Havia respingos até perto das janelas. Me senti muito mal naquele momento, mas por dentro sorria de satisfação, não pelo ato em si, mas sim por estar bem. Alguns minutos atrás pensara que morreria. Pulei o muro e segui até a minha casa, enquanto o fedor me acompanhava. Cheguei em casa, joguei a calça e a camisa no lixo, deixei o coturno de molho e tomei um belo banho, super demorado e me deitei, estava exausto. Então me lembrei da guria. Lembrei que não havia dito nada pra ela. Lembrei que as amigas dela devem ter me visto indo embora como se estivesse muito bêbado ou muito doente. Torci pra segunda opção, era mais fácil contornar doença do que álcool.

Domingo, entrei no MSN e ela não estava online. Fiquei o dia todo olhando e nada. Na segunda feira ela não foi pra aula. Na terça, descobri por um amigo, que ela havia voltado com o ex, que aparentemente no sábado ela tinha saído com umas amigas, deu bosta lá (mal sabia que era literalmente) e ela ficou super chateada, encontrou com o ex, eles conversaram e ele convenceu ela a dar mais uma chance. Ou seja, eu fui o alicerce pra ela voltar com cara. E me fiquei me remoendo por muito tempo que talvez podia ter sido eu o namorado dela, que ela deve ter pensado que eu só quis dar uns beijos e vazei. Nunca conversei com ela sobre isso, não consegui imaginar um diálogo em que eu poderia simplesmente soltar um “precisei cagar e vazei”. Hoje, acho que eu teria dito numa boa. A casa em que eu caguei? De uma senhora de 85 anos, mãe do delegado da cidade. Não deu BO de aparecer no jornal, mas o povo mais velho da cidade, ou envolvido nos problemas da mesma, ficaram tudo sabendo, e chamaram de “ato de vandalismo sem precedentes”. Ouvi até os meus pais conversando sobre isso, que o vandalismo chegara num nível absurdo, que ninguém respeitava mais nada. Queria poder levantar e dizer “E se foi uma pessoa muito doente, que naquele momento não conseguiu segurar e quis um pouco de privacidade?” Nunca disse nada. Fiquei sabendo que o delegado chegou a comentar que encheria de porrada no filho da puta que fez aquilo. Tive medo de ser descoberto, até evitei aquela rua por muito tempo. Meses depois, um dia precisei passar por lá e vi que a casa passara a ter o muro mais alto da rua, com cerca elétrica.

Gostaria de agradecer o espaço do /brasil por esse desabafo, de algo que guardei por quase 9 anos comigo. Recomendo que vocês façam o mesmo com o que está preso no peito, ótimo pra tirar o peso da consciência

TL:DR: Era afim de uma guria por três anos, consegui ficar com ela numa festa, tive uma dor de barriga, precisei fugir do local, não consegui chegar num banheiro, pulei numa casa pra cagar no quintal, acabei cagando na casa da mãe do delegado da cidade. E a mina voltou com o ex, porque pensou que dei um fora nela quando sumi (pra cagar).

Edit: Editei uns erros, arrumei a flair e corrigi o filha, era mãe, no final. :bad:

Edit 2: TLDR adicionado.

Edit 3: Obrigado pelo ouro ikkebr, não esperava.
submitted by Jukeboss- to brasil [link] [comments]